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30/08/2018 09:43 Pedro Nogueira - Juiz da Comarca de Juara

Artigo: Simples Assim

Vivemos  na  era   do   “simples   assim”.   Marca registrada da nossa época em  que  se    procura    e    difunde    informação    da    forma    mais célere    (e    rasa)    possível.    Violência?    Basta liberar armas de fogo,     simples     assim!     Dívidas?     Basta     excluir     o     nome     do inadimplente dos órgãos de proteção ao crédito, simples assim! Imigração de Venezuelanos?   Fecha-se a fronteira, simples assim! Muitos impostos?   Corte de tributos, claro.   Simples assim!   Tudo está muito fácil.  Todos têm respostas para  questões  extremamente complexas.

 Os     exemplos     acima     são     apenas     fragmentos     de     um problema maior, o da simplificação do conhecimento.   Pesquisa de 2016 constatou que 30% dos brasileiros nunca comprou um livro e 44% não tem    hábito  de  ler.  Não estamos falando de clássicos da literatura.   Provável que uma  quantidade   mínima   da   população   se interesse  por  Doistoiévski,  Tolstói,  García  Marques  ou  Cortázar, mas  por  que  não  se  aprofundar  na  busca  daquilo  que  é  fundamental para  o  país.Vivemos  na  era   do   “simples   assim”.   Marca registrada da nossa época em  que  se    procura    e    difunde    informação    da    forma    mais célere    (e    rasa)    possível.    Violência?    Basta liberar armas de fogo,     simples     assim!     Dívidas?     Basta     excluir     o     nome     do inadimplente dos órgãos de proteção ao crédito, simples assim! Imigração de Venezuelanos?   Fecha-se a fronteira, simples assim! Muitos impostos?   Corte de tributos, claro.   Simples assim!   Tudo está muito fácil.  Todos têm respostas para  questões  extremamente complexas.     

Os     exemplos     acima     são     apenas     fragmentos     de     um problema maior, o da simplificação do conhecimento.   Pesquisa de 2016 constatou que 30% dos brasileiros nunca comprou um livro e 44% não tem    hábito  de  ler.  Não estamos falando de clássicos da literatura.   Provável que uma  quantidade   mínima   da   população   se interesse  por  Doistoiévski,  Tolstói,  García  Marques  ou  Cortázar, mas  por  que  não  se  aprofundar  na  busca  daquilo  que  é  fundamental para  o  país.


As   pessoas   se   tornam   especialistas   em   questões   complexas   como política,   direito   e   economia   após   ler   meia   dúzia   de   postagens nas  redes  sociais  (o  número  de  pessoas  graduadas  pelo  Facebook e Twitter  é    assustador).    O pior, a    obtenção    das    informações    é feita   sem   critério   e   preocupação   quanto   à   sua   veracidade.   Basta que o texto   corrobore   com   aquilo   que   se   pensa   para   que   seja compartilhado    à    exaustão. Qual a razão de    passar    anos    na faculdade,     e     nas     inúmeras     extensões     universitárias,     se     a resposta    para    tudo    está    logo    ali,    a    apenas    um    clique    de distância?


Em  ano eleitoral,   essa   mágica   do   conhecimento   instantâneo   é ainda   mais   preocupante,   porque   define   o   futuro   de   milhões   de pessoas. É possível que    essa    seja    a    primeira    eleição    a    ser decidida  na  internet.  Se  ela  não  for  o  maior  veículo  de  obtenção de     votos,     será,     certamente,     decisiva     para     cativar     parte significativa  do  eleitorado.


Vejo  colegas defendendo   ferrenhamente   o   candidato   A   ou   B,   sem nunca  ter  sequer  ouvido  uma  entrevista  de  mais  de  30  segundos  do político  em  questão  ou  lido  o  respectivo  plano  de  governo.  Basta que defenda algum  ponto  convergente  com  seu  pensamento  e  pronto. Voto garantido!   Ocorre que o buraco é mais  embaixo.   O próximo presidente/governador ficará  o  governo  ao  menos  por  quatro  anos (vamos     excluir     por     ora     a     possibilidade     de     impeachment     ou renúncia).   Esse tempo é  ficiente   para   afundar   ainda   mais   o país.    Já  vivemos    em    uma    nação    com    mais    de    13    milhões    de desempregados   e   quase   60.000   homicídios   por   ano.   Está   bom   ou querem  mais?


Enfim, vivemos a era em  que  todos  têm  opinião  sobre  tudo,  mas não   se   aprofundam  em  nada. As pessoas se dizem de  esquerda, direita, liberais,    conservadores,    sem    ao    menos    saber    o    real significado    dessas    palavras.       Partidos    políticos    vistos    como antagônicos   são   mesmo   tão   diferentes?   Aqueles   políticos   vistos como  “outsiders”  são,  de  fato,  pessoas  de  fora  da  política  ou  já estão   no   meio   há   décadas?   Temo   que   um   grande   contingente   de eleitores   vai   à   urna   eletrônica   munido   apenas   do   conhecimento obtido   nas   redes   sociais,   fato   que   pode   vir   a   ser   catastrófico.


A  solução?  Mais  estudo,  mais  leitura  e  mais  humildade  para perceber  que  quanto  mais  sabemos,  mais  evidente  fica  nossa ignorância.  Simples  assim.


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