Juara (MT), 21 de agosto de 2017 - 10:06

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Brasil

01/05/2017 07:18

'Ficaram ofendidos porque eram cobrados', diz médica sobre quem a denunciou por mortes em UTI

A médica Virgínia Soares de Souza falou em entrevista ao Fantástico sobre as denúncias que a levaram à cadeia. Em 2013, ela e mais sete colegas foram acusados de antecipar mortes de pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Evangélico, em Curitiba. Em abril deste ano, todos foram inocentados, em primeira instância.

Ela acredita que as pessoas que fizeram a denúncia anônima à polícia se sentiram ofendidas pela forma como ela tratava os colegas dentro da UTI que chefiava. "[Foi] porque se sentiram ofendidos, ofendidos porque eram cobrados", avalia.

De acordo com a denúncia, ela e os outros colegas aplicavam coqueteis de remédios que levavam os pacientes à morte. O objetivo era liberar vagas na UTI, para outros pacientes. Por ser um hospital que oferece atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o Evangélico vive no limite da lotação máxima, em todos os setores.

Com a repercussão do caso, a polícia passou a analisar mais de 300 mortes que aconteceram na UTI do Evangélico, entre 2006 e 2013. As autoridades começaram a tratar esses casos todos como suspeitos.

 

Para a imprensa internacional, Virgínia chegou a ser considerada "a maior serial killer de todos os tempos". No entanto, a denúncia ateve-se apenas a poucos casos, onde exisitiram os indícios da conduta mortal.

Na sentença, porém, o juiz Daniel Avelar disse que, diante das provas apresentadas e das testemunhas ouvidas, não havia como comprovar a relação entre as ações de Virgínia e as mortes. Por essa razão, ele absolveu todos os réus.

Limites éticos

Virgínia diz que sempre trabalhou nos limites éticos, para garantir que os pacientes sob a responsabilidade dela pudessem se salvar. "Eu era conhecida mais como uma obstinada do que pelo motivo que eu fui acusada. Obstinado é um médico que chega a ultrapassar, vamos dizer, os protocolos e as regras e faz de tudo pelo resgate da vida", afirma.

Além da absolvição em âmbito jurídico, Virgínia foi inocentada em seis dos sete processos que foram abertos contra ela no Conselho Regional de Medicina do Paraná. O sétimo caso ainda não foi julgado.

Vida nova

Após as denúncias, Virgínia foi demitida do hospital em que trabalhou por 25 anos. Nesses quatro anos, ela fez cursos e hoje trabalha em casa, em um serviço de pesquisas por telefone. "Eu vou manter esse trabalho", diz.

Ela afirma que jamais vai voltar a trabalhar em uma UTI, ainda que não tenha perdido o registro como médica. "Por mais, vamos dizer, que a minha imagem seja modificada, pode haver uma dúvida em alguém e eu não suportaria isso nunca", diz.

MP vai recorrer

O Ministério Público do Paraná não concorda com a decisão de Avelar. Para o promotor que cuidou do caso, o juiz deixou de lado parte das provas apresentadas. Ele crê que Virgínia e os outros profissionais eram, de fato, culpados. "Porque nós entendemos que essa sentença foi insuficiente pra tantas provas existentes no processo. Inclusive, a interceptação telefônica que guarda consonância com a aplicação dos medicamentos anotados no prontuário. O MP entende que então, há muito mais provas que precisam ser analisadas", diz.

Ele ainda acrescenta que há provas periciais que demonstram a conduta criminosa do grupo. "A verdade é que essas pessoas foram assassinadas naquela UTI. O MP não tem duvida e vai continuar lutando por isso pq nós temos provas fundamentadas em perícia médica oficial", afirma.

Caso o recurso seja aceito pelo Tribunal de Justiça do Paraná, (TJ-PR), os oito acusados ainda poderão responder pelos supostos crimes que teriam cometido, podendo ser condenados ou absolvidos. A decisão caberá aos desembargadores paranaenses.


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