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Brasil

27/12/2017 08:07 Estadão

Na Cracolândia, fluxo diminui; só metade acaba tratamento

Desafio da área da saúde, a Cracolândia foi alvo de inúmeras polêmicas no primeiro ano da gestão Doria. Após operação policial na área, em maio, o prefeito chegou a dizer que a Cracolândia havia acabado. Dias depois, anunciou a tentativa de buscar autorização judicial para fazer internações à força, o que acabou barrado. A Prefeitura optou, então, por fazer só internações voluntárias.

Hoje, segundo a Prefeitura, o chamado fluxo – concentração de usuários de droga – foi reduzido drasticamente, de 1.861 pessoas em abril para 414 em outubro. Moradores e comerciantes da área têm opiniões distintas sobre a operação. “O fluxo reduziu mesmo, não tem mais barracas e a feira livre de droga. Antes não dava nem para andar na rua”, diz o comerciante José Martins, de 55 anos.

Dona de uma pensão na Alameda Dino Bueno, Maria das Graças Bernardino, de 54 anos, tem percepção diferente. “Eles tiraram a Cracolândia da nossa porta para botar do nosso lado. A região continua degradada e ninguém quer frequentar. Minha pensão vive vazia.” Para Doria, como endereço, a Cracolândia acabou. Segundo ele, “ainda tem o consumo e o tráfico” em alguns locais do centro. “Mas não tem uma área de domínio de facção criminosa como existia”, disse ao Estado.

Em busca de ajuda. Quanto ao atendimento dos dependentes químicos, a gestão municipal diz que tem crescido o número de usuários que buscam tratamento. Em maio, no início do programa Redenção, eram 18 pacientes por dia. Hoje, são 27, segundo dados oficiais. Entre os que optam pela internação para desintoxicação, porém, só metade termina o tratamento de quatro semanas. Como as internações são todas voluntárias, o paciente pode sair quando quiser. Desde maio, 2.673 dependentes já foram internados pelo programa. Coordenador do Redenção, o psiquiatra Arthur Guerra disse que a taxa de cumprimento do tratamento já vem aumentando. “Em julho, 30% completavam o tratamento. Hoje são 52% porque melhoramos as abordagens e as indicações de quem precisa ser internado, mas precisamos aprimorar ainda mais esses processos.”


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