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Economia

21/11/2017 09:07 Estadão

Brasil abre 76 mil vagas formais em outubro, diz Caged

O Brasil abriu 76.599 vagas de emprego formal em outubro, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados nesta segunda-feira, 20, pelo Ministério do Trabalho. Foi o sétimo aumento consecutivo no número de vagas com carteira assinada no País. Para meses de outubro, este é o melhor resultado desde 2013, quando foram geradas 94.893 vagas.

O resultado decorre de 1.187.819 admissões e 1.111.220 demissões. O resultado ficou acima do intervalo das estimativas de analistas do mercado financeiro consultados pelo Projeções Broadcast, que esperavam de fechamento de 13.500 vagas a abertura de 40.000 vagas, com mediana positiva em 10.098 vagas.

No acumulado do ano, houve abertura de 302.189 postos de trabalho com carteira assinada. Em 12 meses até outubro, há fechamento acumulado de 294.305 vagas.

O resultado mensal foi puxado pelo comércio, que gerou 37.321 postos formais em outubro, e pela indústria de transformação, que abriu 33.200 novas vagas com carteira assinada. Em seguida, houve o desempenho positivo o setor de serviços (15.915 vagas).

Por outro lado, tiveram saldo negativo agropecuária (-3.551 postos), serviços industriais de utilidade pública (-729 postos), administração pública (-261 vagas), construção civil (-4.764) e extrativa mineral (-532 vagas).

Projeção. O ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, destacou durante coletiva de imprensa para apresentação dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que a regulamentação na nova lei trabalhista de algumas atividades - como o teletrabalho, o trabalho intermitente e a jornada parcial - vai propiciar a geração de 2 milhões de novos empregos em 2018 e 2019, "somente nestes setores".

Segundo ele, estas vagas estarão em grande parte ligadas aos setores hoteleiro, de bares e restaurantes, de eventos e de tecnologia da informação (TI). O ministro afirmou que os números atuais, que ainda não trazem o impacto da nova lei trabalhista, "já são animadores" e sinalizam "recuperação da economia". "2017 para emprego será bem melhor que 2014, 2015 e 2016", afirmou. Ele evitou, no entanto, citar números para o consolidado do ano.

Nogueira e o coordenador-geral de Estatísticas do Trabalho, Mário Magalhães, que também participou da coletiva de imprensa, disseram ainda que o Caged já trará, no próximo mês, quando saem os dados de novembro, estatísticas que abarcam o teletrabalho, o trabalho intermitente e a jornada parcial.

A ideia é divulgar números destas modalidades separadamente, além da tradicional série história com as atividades atuais. Está ainda em estudo uma série que reúna as novas modalidades e as estatísticas que já vinham sendo divulgadas. Nogueira e Magalhães afirmam que a intenção é dar transparência aos dados. "Vamos informar, por exemplo, o número de contratos de trabalho intermitente por pessoa", disse Nogueira.

O ministro também afirmou que ainda não há estimativas para a geração de vagas nas novas modalidades em 2017.

Setores. Ele destacou também que os resultados dos setores de comércio, indústria e serviços sinalizam uma recuperação consolidada da economia.

Pelos números do Caged, a indústria de transformação foi responsável por 33.200 novas vagas em outubro, o comércio por 37.321 vagas e os serviços por 15.915 postos. Considerando todos os setores, foram 76.599 novos postos com carteira assinada.

"O problema era muito sério em relação ao desemprego nos últimos três anos", pontuou o ministro. "As políticas adotadas pelo governo estavam corretas e já começamos a comemorar. O Brasil do futuro é o Brasil do emprego", afirmou.

Nogueira lembrou ainda que alguns setores da economia já anunciaram investimentos para 2018, como o automobilístico. "Serão R$ 15 bilhões de investimentos", citou. "As novas contratações do setor devem ser potencializadas no próximo ano, quando acontecerem de fato os investimentos."

O ministro disse ainda que o governo acredita na recuperação do setor de construção civil já no primeiro semestre de 2018. Em outubro, conforme o Caged, este setor foi responsável pelo corte de 4.764 postos de trabalho. Em 2017, o total já chega a 30.545 vagas fechadas. "Há toda uma cadeia que precisa ser implementada, um período para licenças. Mas quando as obras começam a acontecer na ponta, o emprego acontece", disse Nogueira.

Na avaliação do economista Felipe Leroy, professor do Ibmec de Minas Gerais, a criação de vagas formais de emprego pelos segmentos do comércio e serviços em outubro, além de ser uma resposta à lenta retomada da economia, é explicada pelo tradicional aquecimento das vendas no último trimestre do ano.

Ele citou também que a indústria, por consequência, acaba se beneficiando disso e gerando postos de trabalho.

"O varejo está crescendo e isso tem um efeito de transbordamento para a indústria. Com esse movimento novo de final de ano, as projeções de vendas estão melhores que as projeções dos anteriores", afirmou.

Leroy disse ainda que o emprego formal tem se recuperado antes do previsto, levando em consideração que o mercado de trabalho costuma demorar para reagir a momentos de virada da economia. "O emprego está se recuperando de forma precoce", declarou.

O professor de economia também disse que o aumento real do salário médio de admitidos no acumulado de janeiro a outubro, de 2,69%, é explicado não pela oferta de remunerações maiores, mas sim pela desaceleração da inflação. "Estamos vivendo a inflação mais baixa desde o governo Dilma Rousseff", ressaltou.


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