Juara (MT), 20 de outubro de 2018 - 08:50

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Economia

08/06/2018 17:07 Folha de São Paulo

Dólar tem maior queda diária em quase dez anos e fecha em R$ 3,71

Após uma quinta-feira (7) de pânico no mercado financeiro, o dólar reagiu ao anúncio do Banco Central de que faria mais intervenções para conter a volatilidade do câmbio e teve a maior queda diária em quase dez anos.

O dólar comercial recuou 5,5%, para R$ 3,709. Na mínima, chegou a R$ 3,696. Em 13 de outubro de 2008, o dólar registrou sua maior queda diária, de 7,3%, num contexto da crise global.

O dólar à vista caiu 7,83%, para R$ 3,7477.

A Bolsa, no entanto, não reagiu e seguiu caindo, mais alinhada com a retração de Bolsas no exterior.

O Ibovespa, índice que reúne as ações mais negociadas, abriu praticamente estável, chegou a cair mais de 2% e fechou com baixa de 1,23%, para 72.942,07 pontos.

Bancos oscilaram ao longo do dia, mas em geral terminaram em baixa. A Petrobras caiu 2,5%. A Vale, com peso grande no Ibovespa, também foi destaque negativo: recuou 6,69%.

No câmbio, porém, o Brasil vai na contramão do cenário externo. Enquanto o dólar se valoriza neste pregão, 21 das 31 principais divisas do mundo perdem para o dólar nesta quinta.

Na noite de quinta, o BC informou que vai intensificar sua atuação no mercado nos próximos dias, ofertando US$ 20 bilhões adicionais em swaps cambiais (equivalente à venda de dólares no futuro) até a próxima sexta-feira (15).

Ilan Goldfajn, presidente do BC, disse ainda que a autoridade monetária usará todos os recursos disponíveis caso a volatilidade cambial se agrave e afastou a possibilidade de reunião extraordinária do Copom (Comitê de Política Monetária) para mudar a taxa de juros.

"O BC demorou a vir a público, deixando o mercado num ponto de tensão tão violenta que chegou muito perto de R$ 4. Mas foi só aparecer, dizer que estava atento, já deu uma tranquilizada", disse o diretor da mesa de câmbio da corretora MultiMoney, Durval Correa.

O Tesouro Nacional voltou a suspender nesta manhã, porém, as negociações dos títulos públicos devido à alta volatilidade das taxas. O Tesouro Direto foi suspenso às 9h40, logo após abrir, e a expectativa de normalização é por volta das 12h.

Na quinta, em meio ao pânico no mercado cambial, o Tesouro suspendeu as negociações de títulos públicos às 9h48. Retomou por volta do meio-dia, mas suspendeu novamente às 12h40 e anunciou que só retornaria às 9h30 desta sexta.

"A questão toda hoje é se o BC consegue segurar o câmbio sem mexer nos juros. A princípio, parece que o mercado está bem cético sobre isso, mesmo após a entrevista do Ilan", avalia Lucas Claro, da Ativa Investimentos.

Nesta sessão, o BC já vendeu integralmente o lote de até 15 mil novos swaps (US$ 750 milhões), injetando US$ 7,306 bilhões neste mês no mercado. O BC ofertará ainda até 8.800 swaps para rolagem do vencimento de julho.

Também anunciou que fará outro leilão adicional de até 60 mil contratos ainda pela manhã, dentro da nova estratégia anunciada dos US$ 20 bilhões.

Desde que começou a ofertar novos contratos de swap, em meados de maio, o BC já injetou no sistema até o momento o equivalente a US$ 14,866 bilhões.

"As condições que levaram o dólar a esticar não mudaram. O BC consegue tranquilizar, [mas] não significa que a moeda vai voltar a 3,50 reais. É possível que ele volte a trabalhar entre R$ 3,75 e R$ 3,80", afirmou Correa.

A situação cambial do Brasil se deteriora conforme as eleições de outubro se aproximam e pesquisas de intenção de voto não comprovam o avanço de candidatos considerados pelo mercado como comprometidos com o ajuste fiscal.

Incertezas no front político nacional afastam investidores, ao mesmo tempo em que expectativas de alta de juros nos Estados Unidos atraem fluxo de capital até então alocado em países emergentes para a economia americana, mais sólida e menos arriscada.

O Federal Reserve (o banco central americano) fará nova decisão sobre juros na próxima semana, e a projeção dos especialistas é de alta. A dúvida é se indicará que vai acelerar o passo até o final do ano ou fará apenas mais uma elevação, além dessa, em 2018.

O quadro brasileiro piorou também após a paralisação dos caminhoneiros. Investidores temem o reflexo do movimento na produção e na inflação, bem como o impacto que as medidas do governo para subsidiar o diesel podem ter nas contas públicas.

De acordo com o IBGE, já foi possível sentir em alguns produtos os efeitos da paralisação dos caminhoneiros no IPCA divulgado nesta sexta. Aumentos nos preços da gasolina e da energia elétrica pressionaram a inflação de maio, que ficou em 0,40%, acima dos 0,22% do mês anterior. ​


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