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Economia

09/08/2018 06:02 G1

Mercado de livros cresce 10% em faturamento no 1º semestre de 2018, mas 'crise das livrarias' preocupa o setor

O mercado de livros fechou o primeiro semestre de 2018 com alta tanto em faturamento (9,97% com relação ao mesmo período do ano anterior) quanto em volume de vendas (5,24%). No entanto, analistas do setor ouvidos pelo G1 consideram o crescimento discreto e avaliam que não há motivos para tanta comemoração.mercado de livros fechou o primeiro semestre de 2018 com alta tanto em faturamento (9,97% com relação ao mesmo período do ano anterior) quanto em volume de vendas (5,24%). No entanto, analistas do setor ouvidos pelo G1 consideram o crescimento discreto e avaliam que não há motivos para tanta comemoração.
Primeiro, porque o patamar de vendas não era tido como elevado, então dificilmente cairia. Segundo, porque há grandes redes de livrarias em crise e inclusive sem condições de pagar por livros já entregues por editoras.
Entre 1º de janeiro e 15 de julho, o setor arrecadou foi R$ 1,07 bilhão – contra R$ 977 milhões no ano passado. Já o número de exemplares vendidos cresceu de 22,96 milhões para 24,17 milhões.
Esses números estão na edição mais recente do Painel das Vendas de Livros do Brasil, que saiu nesta quinta-feira (9).
Apresentado mês a mês e desta vez com o balanço semestral, o estudo é feito pela Nielsen e divulgado pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel). A pesquisa baseia-se no resultado da Nielsen BookScan Brasil, que verifica as vendas em livrarias, supermercados e bancas.

O mercado está tentando reaver os prejuízos que teve no decorrer dos últimos três anos. E o estado de espírito do mercado não permite comemorações."
Veja, abaixo, os principais fatores sobre o 1º semestre de 2018:
Após quatro anos seguidos de queda, o mercado de livros no Brasil enfim registrou resultado positivo em 2017. E abriu bem 2018: a alta no faturamento 14,05% em janeiro, 10,42% em fevereiro, 18,98% em março, 13,95% em abril e 11,78% em maio.Em março, grandes redes livrarias informaram editoras que não tinham condições de pagar por livros já recebidos e fizeram proposta de renegociação, num indicativo de crise no setor. "Isso se agravou nos últimos dois meses, atingiu um nível que não dá mais para disfarçar", diz Borges.A greve dos caminhoneiros, entre 20 e 31 de maio, prejudicou o setor (tanto que o faturamento em junho caiu 2,92%). "Afetou muito naquelas duas semanas. O abastecimento ficou complicado, e mesmo o tráfego em shopping diminiu", afirmou ao G1 o presidente do Snel, Marcos da Veiga Pereira.A Copa do Mundo da Rússia, entre 14 de junho e 15 de julho, também fez as vendas de livros diminuírem (queda de 3,19% no faturamento). Mas é assim em toda Copa, explicou Pereira.Com a crise e a alta do dólar, as editoras têm apostado bastante nos autores brasileiros, explica Borges. "Diversos estudos da Nielsen apontam que, ao mesmo tempo em que a literatura estrangeira cai, a literatura brasileira cresce."E, mais uma vez, não ocorreu um fenômeno editorial como os livros de colorir em 2015 ou um autor que tenha vendido muito até aqui neste ano.
A crise das livrarias"O balanço do primeiro se,estre tem um dado positivo, que é o crescimento acima da inflação. É uma notícia boa", avaliou o presidente do Snel, Marcos da Veiga Pereira.
"Mas, por outro lado, vivemos um semestre difícil, porque as grandes livrarias acusaram o golpe do que foi a queda acumulada de 2015 e de 2016."
Pereira lembra que tudo "aconteceu em março, de uma maneira abrupta, meio de surpresa, com a notícia de que as livrarias iriam ter de postergar pagamentos". "Nenhum editor estava preparado para isso. Estávamos em ritmo acelerado. Tivemos de puxar o freio."
De acordo com ele, um dos efeitos práticos imediatos disso foi a diminuição do número de lançamentos por parte das editoras.
"Não adianta sair publicando se não tem certeza de que vai conseguir colocar os livros à venda. Precisa ter a confiança de que vai conseguir colocar os livros nas principais redes e de que vai receber o dinheiro. Essa relação de confiança entre editores e livreiros está sendo restabelecida aos poucos. E esse é o nosso desafio para o segundo semestre. Vamos ver o quanto a gente pode financiar efetivamente a cadeia de livrarias."
O presidente do sindicato dá uma explicação provável para o atual momento: "Acho que as livrarias conseguiam se financiar com bancos. Elas vinham num processo de reestruturação, de fechamento de lojas deficitárias, estavam fazendo o dever de csa. O problema é que a crise foi muito longa, e as livrarias tinham a expectativa de continuar se financiando no mercado financeiro, mas ele travou crédito".
A negociação, segundo ele, prevê que os pagamentos ocorram no final do ano, após o Natal e a black friday, "datas muito fortes".
E qual a previsão de solução, afinal? Para Pereira, o processo de recuperação "passa por decisões duras, demissão de gente, fechamento de lojas deficitárias".

"Mas é um processo de médio prazo. Eu diria que deve se arrastar pelo menos até o final de 2019, para voltarmos a uma situação de normalidade. E depende muito de como vai ser o ano que vem em termos macroeconômico."
Para Ismael Borges, a situação das livrarias não deve ter reflexos para o leitor. "Isso não quer dizer nada, porque livro à disposição teremos. Vai ser bem difícil assistir a uma crise de fornecimento engendrada pela própria indústria. O que acontece é que esse imbróglio entre as principais editoras os varejistas bagunça todo o sistema de distribuição. Então, o ecossistema está em fase de reanálise."
Veja, abaixo, os livros mais vendidos do 1º semestre:"A sutil arte de ligar f*da-se" (Intrínseca), de Mark Manson"As aventuras na netoland com Luccas Neto" (Ediouro), de Luccas Neto"Álbum da Copa – Rússia 2018" (Panini)"Vade Mecum" (Saraiva), vários"O milagre da manhã" (Best Seller), de Hal Elrod"Sapiens – Uma breve história da humanidade"(L&PM), de Yuval Noah Harari"O poder do hábito" (Objetiva), de Charles Duhigg"Propósito – A coragem de ser quem somos" (Sextante), de Sri Prem Baba"Seja foda!" (Buzz), de Caio Carneiro"O poder da ação: Faça sua vida ideal sair do papel" (Gente), de Paulo Vieira


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