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Estaduais

17/02/2018 11:48 G1 MT

Três meses antes de ser assassinado, ex-prefeito disse ao MP que recebia ameaças para renunciar

Três meses antes de ser assassinado, o ex-prefeito de Colniza, a 1.065 km de Cuiabá, Esvandir Antônio Mendes procurou a Promotoria de Justiça de Colniza para declarar que estava sofrendo ameaças e que o presidente da Câmara Municipal, Rodolfo César Andrade Gonçalves, conhecido como sargento Rodolfo (PSDB), teria interesse em sua cassação.

O ex-prefeito foi executado a tiros no dia 15 de dezembro do ano passado, no momento em que chegava a Colniza, após participar de reuniões em Cuiabá. Um empresário e mais três pessoas foram denunciados à Justiça pelo crime. Na época em que fez as declarações ao MP, ele estava afastado da Prefeitura de Colniza por decisão do Legislativo municipal.

Por meio de nota, o sargento Rodolfo negou ter feito ameaças ao ex-prefeito e disse que apoia a investigação do Ministério Público Estadual (MPE). "Fui um dos primeiros a colaborar com as investigações do crime hediondo que ceifou a vida do nosso ex-prefeito e já forneci toda a documentação requerida pelo Ministério Público", disse.

O ex-prefeito afirmou ao MP, no dia 15 de setembro, que estranhos estariam rondando a sua casa e que temia pela própria vida. No entanto, ele não quis representar ou registrar ocorrência na delegacia por medo de que o vereador, por ser um policial militar aposentado, pudesse ter acesso ao documento com facilidade.

"Quer que seja colhido estes relatos, para que, caso venha a acontecer algo contra a sua integridade ou da sua família, tenha-se base de quem investigar", diz trecho da declaração.

Ameaças

Segundo o ex-prefeito, desde o seu afastamento, uma caminhonete da Câmara de Vereadores esta vista passando devagar pela frente da casa dele, como se quisesse ver a movimentação no local, assim como motocicletas passaram a rondar a residência durante a noite.

Esvandir disse ter sido alertado pelo amigo dele e ex-secretário de Planejamento do município, Ademir da Silva, de que o presidente da Câmara teria dito ao então prefeito interino, no dia 12 de setembro, que havia um jeito de tirá-lo da prefeitura, insinuando que usaria arma de fogo, se necessário. A declaração teria sido feita durante uma reunião da qual Ademir participava.

"Que, então, o Sr. Rodolfo Cesar Andrade Gonçalves disse que 'se o prefeito [Esvandir Antonio Mendes] não saísse pelo voto da câmara, teria um jeito de tirar ele', batendo, neste momento, com a mão na cinta, dando a entender que resolveria o problema com o emprego de arma de fogo, já que é policial militar aposentado", diz trecho do termo de declaração.

Por ter ficado assustado, no dia seguinte ao alerta, segundo o ex-prefeito, Ademir foi embora de Colniza, levando a família dele.

Na sequência, no dia 14 de setembro, Esvandir disse ter aproveitado uma reunião com membros do Legislativo para questionar ao vereador Clínio Tomazzi (PSB) - que foi afastado do cargo por decisão da Justiça - sobre a razão pela qual o sargento Rodolfo teria rancor dele. Naquela ocasião, ele teria recebido uma nova ameaça.

"Quando o Sr. Clínio, então, disse que o Rodolfo teria mandado um recado, no sentido de que: 'é para você renunciar, que é o melhor para você, que se você não renunciar, não vai ficar bom para o teu lado'", afirmou o ex-prefeito ao MP.

Pedido de afastamento

O MPE pediu à Justiça, nessa quinta-feira (15), o afastamento do presidente da Câmara de Colniza por suspeita de emitir declaração falsa em documentos para garantir a realização da votação da cassação do então prefeito da cidade.

De acordo com a denúncia do MP, o sargento Rodolfo assinou quatro atos administrativos convocando os parlamentares para uma sessão extraordinária no dia 16 de dezembro, para votação da cassação do então prefeito da cidade. Porém, os documentos assinados foram datados em 13 de dezembro, mesmo dia em que ele se encontrava em Cuiabá em reunião com o então prefeito de Colniza e o governo do estado.

Rodolfo nega ter falsificado os documentos ou "atropelado" os ritos do processo de cassação no Legislativo.

"Afirmo, no entanto, que não descumpri o Regimento da Câmara nem cometi quaisquer irregularidades na condução dos processos de apuração das denúncias que haviam contra o chefe do Poder Executivo", afirmou, em nota.

O vereador ainda criticou a ação do MP, afirmando que "a independência dos poderes deve ser respeitada e, sob o argumento de apurar um crime, que já tem réu confesso, não se pode agravar a crise política no município".


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