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07/06/2018 08:52 G1 MT

Chacina que matou nove posseiros deixa MT como 4º em violência no campo

Achacina de nove trabalhadores rurais na Gleba Taquaruçu do Norte, no município de Colniza, a 1.065 km de Cuiabá, colocou Mato Grosso em 4º lugar entre os estados com o maior número de assassinatos em conflitos no campo em 2017. O levantamento foi feito pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) e divulgado nessa terça-feira (5).

De acordo com os dados da Pastoral, 71 pessoas foram assassinadas em conflitos no campo em todo o país ao longo do ano passado – 10 mortes a mais do que em 2016, sendo considerado o maior número registrado nos últimos 14 anos.

O estudo mostra um cenário com registro menor de conflitos no campo, mas com ocorrências muito mais violentas. Do total de mortes, 31 foram registradas em chacinas. No ranking, Mato Grosso ficou atrás apenas dos estados do Pará, Rondônia e Bahia.

Segundo o CPT, o documento é um alerta sobre a violência no campo e também questiona o papel da União na política da reforma agrária.

O levantamento aponta ainda que, durante o ano passado, duas pessoas sofreram tentativas de assassinato no estado, em um acampamento em Novo Mundo, 791 km de Cuiabá. A ocorrência foi registrada em 1º de setembro e, segundo a Pastoral, as vítimas seriam lideranças do acampamento.

Os dados mostram também que três pessoas foram ameaçadas de morte no estado entre junho e dezembro do ano passado. Uma sindicalista em Juara, a 690 km da capital, e dois líderes de acampamentos situados em Paranatinga e Peixoto de Azevedo, a 411 km e 692 km de Cuiabá, respectivamente, sendo que um deles já morreu.

Chacina em Colniza

A chacina em Colniza ocorreu em abril do ano passado. Na ocasião, nove trabalhadores rurais com idades entre 23 e 57 anos foram rendidos, torturados e mortos nos barracos onde moravam, ao longo da Linha 15, na Gleba Taquaruçu do Norte.

Segundo a denúncia feita pelo Ministério Público, quatro executores, a mando de um empresário, invadiram o local e, com o uso de armas de fogo e arma branca, mataram os posseiros Francisco Chaves da Silva, 56, Edson Alves Antunes, 32, Izaul Brito dos Santos, 50, Aldo Aparecido Carlini, 50, Sebastião Ferreira de Souza, 57, Fábio Rodrigues dos Santos, 37, Samuel Antonio da Cunha, 23, Ezequias Santos de Oliveira, 26, e Valmir Rangel do Nascimento, de 55 anos.

Segundo o MP, foram denunciados o empresário do ramo madeireiro Valdelir João de Souza, de 41 anos – conhecido como Polaco Marceneiro e apontado como mandante do crime – além dos quatro suspeitos de serem executores do crime, entre eles, um ex-sargento da Polícia Militar de Rondônia.

A denúncia aponta que o empresário foi o mandante dos crimes porque estava interessado na exploração ilegal de madeira na região. Ele teve a prisão decretada pela Justiça há mais de um ano, mas continua solto. A defesa diz que ele não se entregou por considerar a prisão dele injusta e que ele não teria motivo para mandar matar ninguém.


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