Juara (MT), 23 de outubro de 2017 - 21:53

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26/09/2017 09:24 Exame.com

EUA declararam guerra e podemos atacar, diz Coreia do Norte

O ministro das Relações Exteriores norte-coreano, Ri Yong Ho, acusou nesta segunda-feira o presidente americano, Donald Trump, de “declarar guerra” à Coreia do Norte, e ameaçou derrubar os bombardeiros dos Estados Unidos que se aproximarem do país.

No sábado, bombardeiros americanos voaram próximo à região costeira norte-coreana para enviar uma “mensagem clara” a Pyongyang, segundo o Pentágono.

“Todos os Estados-membros (da ONU) e o mundo inteiro devem claramente recordar que foram os Estados Unidos que declararam primeiro a guerra ao nosso país”, afirmou o ministro a repórteres em Nova York, onde participa da Assembleia Geral da ONU.

“Desde que os Estados Unidos declararam uma guerra ao nosso país, temos o direito de adotar medidas, inclusive de abater bombardeiros estratégicos, mesmo que não estejam em nosso espaço aéreo”, acrescentou o chanceler.

As operações militares americanas de sábado “foram realizadas no espaço aéreo internacional, em águas internacionais. Nós temos o direito de voar, navegar e operar em todos os lugares onde é legalmente permitido”, respondeu o porta-voz do Pentágono, Robert Manning.

Perguntado se os Estados Unidos continuariam com suas demonstrações militares, ele lembrou os compromissos de defesa com a Coreia do Sul e o Japão. “Se a Coreia do Norte não encerrar suas ações provocativas, ofereceremos ao presidente opções para esse país”, acrescentou.

No sábado, diante da Assembleia Geral da ONU, Ri Yong Ho já havia denunciado as declarações de Donald Trump contra o seu país, chamando-o de “demente” e “megalomaníaco”.

Em seu primeiro discurso nas Nações Unidas, o presidente americano ameaçou “destruir totalmente” a Coreia do Norte caso o país atacasse os Estados Unidos.

Estas trocas verbais de rara violência no palanque de uma instituição que deveria garantir a paz e a segurança no mundo provocaram muitos pedidos de calma, principalmente de Moscou.

“Quando temos um agravamento da tensão, da retórica, então temos um risco de erro” que pode levar “a mal-entendidos”, reagiu nesta segunda-feira o porta-voz da ONU, Stephane Dujarric. “A única solução é uma solução política”, insistiu.

Irresponsabilidade

Na sexta-feira na ONU, o chanceler russo, Sergei Lavrov, pediu que “as cabeças quentes esfriassem”. Ele defendeu uma “abordagem razoável e não emocional, ao invés de uma sala de aula onde as crianças brigam sem que ninguém possa detê-las”, disse ele.

Em uma entrevista realizada no domingo, ele alertou contra “uma catástrofe imprevisível” em caso de derrapagem entre os dois países. Segundo ele, a crise atual só pode ser resolvida através de “carícias, sugestões e persuasão”.

Em pouco mais de um mês, o Conselho de Segurança da ONU aprovou duas séries de sanções econômicas (em 5 de agosto e 11 de setembro) cada vez mais severas para forçar Pyongyang a retornar à mesa de negociação.

As discussões entre as principais potências e a Coreia do Norte sobre seus programas armamentistas foram interrompidas em 2009.

Washington adicionou novas sanções econômicas unilaterais em 21 de setembro.

Diante de Donald Trump, a Coreia do Norte parece querer responder a cada gesto com testes nucleares e lançamentos de mísseis balísticos.

No sábado, o ministro norte-coreano justificou o desenvolvimento de armamentos de seu país pelo medo de um ataque americano. “A razão profunda pela qual a Coreia do Norte possui armas nucleares está ligada aos Estados Unidos. Devemos aumentar nossa força nuclear para alcançar o nível dos Estados Unidos”, disse ele.

“Nossa força nuclear nacional é dissuasiva para acabar com a ameaça nuclear dos Estados Unidos e evitar uma invasão militar” americana. “Nosso objetivo é estabelecer um equilíbrio de poder com os Estados Unidos”, insistiu, afirmando que seu país era um “Estado nuclear responsável”.

Na semana passada, a Coreia do Norte ameaçou testar uma bomba de hidrogênio no Oceano Pacífico. Seria “uma manifestação chocante de irresponsabilidade”, segundo o secretário de Defesa dos Estados, Jim Mattis.


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