Juara (MT), 23 de outubro de 2017 - 21:50

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12/10/2017 11:37

EUA anunciam saída da Unesco e alegam "preconceito contra Israel"

WASHINGTON - Os EUA anunciaram nesta quinta-feira, 12, a sua decisão de se retirar da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), alegando "preconceito contra Israel", segundo um comunicado oficial.

Washington estabelecerá uma "missão de observação" na agência da ONU com sede em Paris, substituindo sua representação como membro, disse a porta-voz do Departamento de Estado americano, Heather Nauert.

A diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, afirmou "lamentar profundamente" a decisão dos EUA. "A universalidade é essencial para a missão da Unesco de construir a paz e a segurança internacionais em face do ódio e da violência por meio da defesa dos direitos humanos e da dignidade humana", afirmou Irina. "Lamento profundamente a decisão dos EUA, cuja notificação oficial foi enviada pelo secretário de Estado, Rex Tillerson", escreveu em um comunicado. "É uma perda para a família das Nações Unidas. É uma perda para o multilateralismo."

Os EUA já deixaram a Unesco entre 1984 e 2003 e suspenderam sua contribuição financeira em 2011.

Em sua declaração, Irina lista uma série de medidas adotadas pela Unesco em parceria com Washington contra o antissemitismo. "Juntos, trabalhamos com o falecido Samuel Pisar, embaixador honorário e enviado especial para a educação do Holocausto, a fim de compartilhar a história do Holocausto para lutar contra o antissemitismo e na prevenção dos genocídios, com o Canal Unesco para a educação sobre o genocídio na Universidade da Califórnia e com programas de alfabetização na Universidade da Pensilvânia."

No início de julho, os EUA haviam advertido que analisavam seus vínculos com a Unesco, chamando de "uma afronta à história" a sua decisão de declarar a antiga cidade de Hebron, na Cisjordânia ocupada, uma "zona protegida" do patrimônio mundial. Na ocasião, a embaixadora americana nas Nações Unidas, Nikki Haley, afirmou que esta iniciativa "desacreditava ainda mais uma agência da ONU já altamente discutível".

O Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco inscreveu a Cidade Velha de Hebron nessa lista como um local "de valor universal excepcional". Também colocou a cidade, localizada nos territórios palestinos, na lista de patrimônios em perigo.

Hebron é o lar de 200 mil palestinos e centenas de colonos israelenses, que estão entrincheirados em um enclave protegido por soldados de Israel perto do local sagrado que os judeus chamam de Túmulo dos Patriarcas e os muçulmanos de Mesquita de Ibrahim.

O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, descreveu a decisão da Unesco como "delirante". Poucos meses antes, a agência havia identificado Israel como uma força de ocupação em Jerusalém.

Os EUA suspenderam sua participação financeira em 2011 após a admissão do território palestino como um Estado-membro. / AFP.


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