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07/11/2017 08:57 Estadão Mundo

Em viagem à Ásia, Donald Trump liga comércio a segurança do Japão

Em visita ao Japão, o presidente americano, Donald Trump, disse que o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, concordou em comprar “uma grande quantidade de equipamento militar”. Trump argumentara que o Japão poderia se proteger de uma Coreia do Norte nuclear se comprasse bilhões em dólares em armamento americano, “o melhor do mundo”, segundo o líder americano. 

Com essa venda, Trump iniciou sua complexa e politicamente desafiadora viagem pela Ásia fazendo uma ligação explícita entre comércio e segurança. O presidente americano condenou o que ele chamou de crônico déficit comercial com o Japão e criticou o país por não ter derrubado o míssil que a Coreia do Norte lançou recentemente sobre o território japonês.

Segundo a Constituição pacifista do Japão, o país só pode derrubar um míssil se ele representar uma ameaça. Nas eleições do dia 22, os partidos que defendem uma revisão da Constituição pós-guerra do Japão conquistaram quase 80% das cadeiras do Parlamento, abrindo o caminho para que Abe leve adiante sua proposta de reformar a Carta até 2020.

A viagem de Trump a cinco países da Ásia, definida pela Casa Branca como “uma missão de boa vontade” e pelo Departamento de Estado como uma “agenda de reafirmação dos compromissos com os aliados regionais”, está cercada por um impressionante aparato militar. Ontem, na ação mais recente, 250 fuzileiros e times de forças especiais, prontos para choque, foram mobilizados pelo Comando do Pacífico. Formalmente, apenas para cumprir um dia na rotina dos ensaios de deslocamento rápido de tropas.

Há cinco dias chegou à base da Marinha americana da Ilha de Guam, o Grupo de Ataque 12, liderado pelo super porta-aviões nuclear Theodore Roosevelt, de 100 mil toneladas, 85 aeronaves, 1 submarino atômico, mais cruzadores e destróieres lançadores de mísseis. Nas próximas horas, em outros pontos do Pacífico, entram na área mais duas forças iguais, dos porta-aviões Nimitz e Ronald Reagan.

É um encontro raro. Em combate real a última vez foi há cerca de 20 anos. Em exercício, aconteceu em agosto de 2007. A princípio, os três não deveriam fazer instruções de ações conjuntas mas, ontem, o comando da 7.ª Frota, em Yokosuka, no Japão, admitiu haver um ensaio rápido em planejamento. A bordo dos navios estão mais de 20 mil tripulantes – marinheiros, aviadores, artilheiros, técnicos, fuzileiros. Os 80 mil combatentes americanos mantidos na Coreia do Sul e no Japão entraram ontem em regime de alerta intermediário. Na prática, significa que devem permanecer a no máximo 30 minutos de distância de seus postos.

No dia 22 e de novo uma semana depois, o Pentágono despachou para a Península Coreana, em uma operação cheia de segredos, um, talvez dois, B-2A Spirit, bombardeiros de penetração furtiva em território hostil, invisíveis aos radares. São os aviões mais caros da história – foram fabricados apenas 21 deles, e cada um saiu por US$ 1 bilhão.

Se acrescentados o investimento da pesquisa e desenvolvimento de tecnologias, o preço dobra, vai para a casa dos US$ 2 bilhões. Em 1997 o fabricante Northrop Corporation informava o valor unitário de US$ 737 milhões. O orçamento recebeu aditivos até o encerramento da produção, em 2000. O B-2A tem desenho agressivo, é uma asa voadora com o perfil recortado, de forma a desviar as ondas dos radares. Recentemente, a frota recebeu a aplicação de uma película dispersora dos sinais dos novos sensores de detecção por laser.


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