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07/11/2017 09:07

Putin busca ser o líder mais longevo desde revolução

A primeira das revoluções coloridas não foi laranja nem rosa. Foi vermelha. Começou na cidade de Vladimir Putin: São Petersburgo. Em 1917, um país em crise destronou um imperador. Cem anos depois, enfrentando dificuldades econômicas e uma crescente insatisfação social, a última coisa que passa na cabeça de um caudilho russo é celebrar uma revolução.

Silenciosamente, Putin caminha para se tornar o sujeito que mais tempo governou a Rússia pós-imperial. A marca é de Joseph Stalin, que comandou o país por 29 anos. Alçado à presidência em 1999, Putin está no poder há 18 anos – incluindo o período como premiê, em que passou dando ordens a Dmitri Medvedev, seu afilhado político. Se for reeleito em 2018 e cumprir o mandato, em 2024, ele terá 25 anos de Kremlin. Para quem caça ursos, faz pesca subaquática e luta judô, o recorde parece mera formalidade.

 “A Rússia é uma charada embrulhada num mistério dentro de um enigma”, definia o britânico Winston Churchill. Putin segue a tradição.

Para começar a entender Putin, seus biógrafos voltam sempre ao 5 de dezembro de 1989. Ele era um agente da KGB em Dresden, na Alemanha Oriental. Naquela noite, o Muro de Berlim havia acabado de cair e uma turba nervosa saía às ruas para destruir qualquer resquício de comunismo.

Logo, a multidão parou nas grades do prédio da KGB. Lá dentro, o tenente-coronel Putin assistia a tudo por trás das cortinas. “Ele estava aterrorizado, com medo de que invadissem o prédio”, diz Masha Gessen, autora de The Man Whithout a Face (“O homem sem face”), sobre a ascensão de Putin.

A Alemanha Oriental havia entrado em colapso e o tenente-coronel não podia contar com a polícia. Seu chefe também não estava. Então, Putin telefonou para pedir instruções à sede da KGB. A resposta foi seca. “Moscou está em silêncio.” Ele tomou duas decisões: incinerar o máximo de documentos secretos e enfrentar o povaréu enfurecido.

“Temos guardas armados lá dentro. Eles vão atirar”, afirmou o jovem agente soviético. O blefe funcionou e a multidão se dispersou. Desde então, uma fobia tomou conta de Putin: o pavor de uma insurreição popular.

Robert Gates, ex-secretário de Defesa dos EUA, dizia que Putin tem uma autoridade “sem limites” na Rússia. Para David Remnick, autor de O Túmulo de Lenin, sua força está na capacidade de tomar decisões importantes rapidamente.

“A diferença de Putin para os líderes soviéticos é o grau de integração econômica da Rússia, o fato de que agora as pessoas endinheiradas podem viajar e acessar fontes de informações alternativas na internet”, afirma o historiador Andrew Jenks, da California State University. “O resto é igual.”

Seu maior desafio no Kremlin é o papel de autocrata discreto. Enquanto Michelle Obama e Melania Trump dominam os holofotes, a mulher de Putin é tão inacessível que ninguém sabe quem é. Ou melhor, foi. Em 2013, ele anunciou o fim do casamento de 30 anos com Ludmila Shkrebneva, ex-aeromoça da Aeroflot.

As más-línguas dão conta que o motivo da separação tem duas medalhas olímpicas de ginástica rítmica em Atenas. Alina Kabaeva, de 34 anos, é hoje deputada pelo Rússia Unida, partido de Putin. Os boatos começaram em 2008, quando o tabloide Moskovsky Korrespondent anunciou o romance. Putin não apenas negou, mandou fechar o jornal uma semana depois.

“Ele é muito reservado”, conta Edvard Chesnokov, jornalista que trabalha no Komsomolskaya Pravda, um dos maiores tabloides da Rússia. “É muito difícil conseguir alguma informação sobre sua vida particular.”

Até as filhas de Putin são um mistério. Oficialmente são duas. A mais velha, Maria, teria se casado com o empresário holandês Joerrit Faassen. Eles viveram na Holanda até o Boeing 777 da Malaysia Airlines, que havia decolado de Amsterdã, ser abatido na Ucrânia e azedar a relação entre Holanda e Rússia. O casal teria se mudado para Moscou.

A caçula, Katerina, é extrovertida e usa o sobrenome da avó, Tikhonovna, para não chamar a atenção. Em Moscou, dizem que ela se casou com o bilionário Kirill Shamalov. Em 2015, quando questionado sobre o casamento de Katerina, Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin, deu legitimidade à definição de Churchill. “Não tenho nenhuma informação sobre a vida pessoal, conexões familiares, estado civil, atividades acadêmicas ou projetos particulares de Katerina Tikhonovna.”


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