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09/11/2017 08:25 Estadão Mundo

Derrota eleitoral de Trump ameaça domínio republicano no Congresso

Eleitores de dois Estados americanos entregaram a candidatos democratas vitórias avassaladoras na terça-feira, no que foi interpretado por analistas como uma rejeição ao “trumpismo”, um ano depois da vitória de Donald Trump na disputa presidencial. Os resultados preocuparam o Partido Republicano. Muitos temem que seja um prenúncio para a eleição de meio de mandato no próximo ano, quando estarão em jogo a Câmara dos Deputados, parte do Senado e governos de 36 Estados.

Foram eleitos representantes marcados pela diversidade, entre os quais dois transgêneros, uma lésbica e o primeiro prefeito sikh do país. “A eleição foi em parte um repúdio a Donald Trump”, disse Ravi Perry, cientista político da Universidade da Commonwealth da Virgínia. “Muita gente se arrependeu de não ter votado no ano passado.”

Segundo ele, o número de eleitores que foi às urnas na Virgínia superou em 15% o registrado há quatro anos. O maior aumento ocorreu no que Perry chama de “coalizão Obama”: negros, jovens e mulheres. “Isso é o que acontece quando as pessoas votam”, escreveu o ex-presidente democrata no Twitter.

A Virgínia é um dos Estados-pêndulo que oscilam entre democratas e republicanos e são cruciais na definição das disputas presidenciais. No ano passado, Hillary Clinton venceu a disputa no Estado por uma diferença de 5,4 pontos porcentuais.

Na terça-feira, o candidato democrata a governador, Ralph Northam, derrotou o republicano Ed Gillespie com uma vantagem de 9 pontos. Os republicanos viram sua maioria de 32 cadeiras na Assembleia Legislativa da Virgínia ser quase dizimada em uma votação. Em New Jersey, a distância foi de 13 pontos, semelhante à registrada na eleição presidencial.

Pouco depois da divulgação do resultado, Trump tentou se dissociar do representante de seu partido. “Ed Gillespie trabalhou duro, mas não abraçou a mim nem o que eu represento”, escreveu no Twitter. Trump declarou apoio ao republicano nas mídias sociais e gravou mensagens transmitidas a eleitores por telefone.

Pesquisas de boca de urna confirmaram sua influência: 57% dos que foram às urnas desaprovam seu trabalho. Nesse grupo, 87% escolheram o candidato democrata. Expressar oposição a Trump motivou 34% dos que votaram e 97% deles escolheram Northam. Só 17% disseram que foram às urnas para manifestar apoio a Trump.

Gillespie integra o establishment do partido, mas promoveu posições similares às do presidente: vinculou latinos à criminalidade, criticou jogadores de futebol americano que se ajoelham durante a execução do hino nacional e defendeu a manutenção de monumentos que homenageiam militares que comandaram o Exército Confederado do Sul contra o Norte durante a Guerra Civil dos EUA.

A questão racial ganhou relevância na disputa depois que defensores da supremacia branca escolheram uma das cidades da Virgínia, Charlottesville, para protestar contra a remoção de estátuas de generais confederados, em agosto. A manifestação terminou em violência e no assassinato de Heather Heyer, de 32 anos.

“A maior explicação é a reação a Trump e o trumpismo, pura e simples”, escreveu no Twitter o cientista político Larry Sabato, que dirige o Centro para Política da Universidade da Virgínia. Segundo ele, os republicanos terão de obter vitórias legislativas em âmbito federal se quiserem ser bem-sucedidos na disputa do próximo ano. A principal candidata é a proposta de reforma tributária.

Em entrevista à CNN, o deputado republicano da Virgínia Scott Taylor afirmou que a eleição como um “referendo” sobre o governo Trump. O parlamentar culpou a retórica sectária do presidente pela derrota de seu partido.


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