Juara (MT), 15 de dezembro de 2017 - 01:42

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04/12/2017 10:47 Estadão Mundo

Para contornar crise econômica, Maduro anuncia criação de criptomoeda venezuelana

CARACAS - O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, anunciou no domingo, 3, a criação do "Petro", uma moeda virtual apoiada na riqueza petroleira do país, para enfrentar o "bloqueio financeiro" dos Estados Unidos. A medida é uma tentativa de contornar os graves problemas de liquidez do país e a desvalorização do bolívar.

"Quero anunciar que a Venezuela vai implementar um novo sistema de criptomoeda a partir das reservas de petróleo. A Venezuela vai criar uma criptomoeda, o Petro, para avançar em termos de soberania monetária, para fazer suas transações financeiras e vencer o bloqueio financeiro", disse Maduro em seu programa semanal de televisão.

Além do petróleo, a nova moeda estará vinculada à riqueza de gás e à existência de ouro e diamante, indicou Maduro. "Isto vai nos permitir avançar em direção a novas formas de financiamento internacional para o desenvolvimento econômico e social do país", afirmou.

Nesse sentido, Maduro também anunciou a criação do observatório de "blockchain", uma tecnologia que busca a descentralização como medida de segurança através de bases de dados e registros distribuídas e compartilhadas, que possuem a função de criar um índice global para todas as transações que ocorrem em um determinado mercado.

Segundo Maduro, o observatório de "blockchain" ficará subordinado ao Ministério de Ensino Superior, Ciência e Tecnologia, e será "a base institucional, política e jurídica para a moeda virtual venezuelana".

"Para implementar este observatório será formada uma equipe multidisciplinar de 50 pessoas (...). Propomos a formação de um equipe multidisciplinar de especialistas nas áreas de tecnologia, economia, finanças, jurídica, monetária, midiática, entre outras", explicou Maduro.

O chefe de Estado disse que ouvirá as propostas da Associação Nacional de Criptomoedas que, segundo um de seus integrantes, acredita no desaparecimento do dinheiro fiduciário no futuro e propõe ao Estado venezuelano realizar a venda de petróleo através do Petro.

O anúncio chega em um momento em que a Venezuela enfrenta sérios problemas de financiamento, depois de que um grupo de detentores de bônus e agências de classificação de risco declarou o país, junto com sua petroleira PDVSA, em default parcial devido ao atraso em pagamentos de capital e juros de títulos da dívida. 

Maduro atribui as dificuldades às sanções impostas pelos Estados Unidos em agosto, que proíbem cidadãos e empresas desse país de negociarem novas dívidas emitidas pelo governo e pela PDVSA.

Em meio à grave crise no país pela queda dos preços e da produção de petróleo, a moeda venezuelana, o bolívar, sofreu uma desvalorização de 95,5% ante o dólar paralelo no último ano.

Apesar de o presidente venezuelano não ter dado mais detalhes sobre sua criptomoeda, analistas como Henkel García veem a iniciativa como um esforço de possibilidades limitadas em razão da pouca confiança inspirada pela economia do país.

"(O sistema) pode até ser criado, mas a confiança, a aceitação e o uso são os fatores que vão determinar o êxito da criptomoeda. Para mim, será bastante limitado. O bolívar também é respaldado nas reservas (de petróleo) e não tem força", disse García, diretor da consultoria Econométrica.

"A confiança em um país depende dos níveis de produção e da riqueza que ele gera. Por exemplo, as pessoas confiam no dólar em razão dos níveis de riqueza associados à essa moeda", completou.

Paraíso do Bitcoin

A questão das moedas virtuais não é nova na Venezuela, considerada pelos especialistas como um paraíso para a produção de Bitcoins em razão dos baixíssimos custos de energia elétrica.

Estima-se que dezenas de milhares de pessoas realizem esta atividade no país para se proteger da inflação, já que podem trocar seu lucro por dólares ou por mais Bitcoins.

Rei das criptomoedas, o Bitcoin atingiu na semana passada o valor de US$ 11 mil por unidade, continuando uma espetacular escalada que multiplicou por dez o seu valor em um ano - o que, por outro lado, semeia medo de que a moeda esteja em uma bolha.

A moeda virtual foi criada em 2009 e tem como base uma tecnologia criada por um engenheiro conhecido pelo pseudônimo Satoshi Nakamoto, cuja identidade real é desconhecida. O sistema, global e descentralizado, permite transações diretas entre usuários, sem intermediários, que ficam registradas numa base de dados pública.

Na Venezuela, a lei não proíbe expressamente a mineração de Bitcoin, mas as autoridades perseguem quem o faz por roubo de energia. Segundo analistas, no entanto, vários funcionários do governo estão envolvidos nesta atividade, que consiste em operações matemáticas que verificam a validade de transações em Bitcoin com o uso de poderosos computadores.

As máquinas são recompensadas com Bitcoins que podem ser trocados por dólares, por outras criptomoedas, por cartões presentes ou por bolívares - a opção menos interessante no momento. / AFP e EFE


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