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23/12/2017 14:27 Estadão Internacionais

Congresso do Peru rejeita pedido de impeachment do presidente

LIMA - O Congresso do Peru rejeitou na noite desta quinta-feira, 21 (madrugada de sexta-feira no Brasil), o pedido de impeachment do presidente Pedro Pablo Kuczynski, acusado de "incapacidade moral permanente" devido aos vínculos com a Odebrecht. A oposição ao presidente não conseguiu obter os 87 votos necessários para a destituição e um parlamentar opositor acusou Kuczynski de garantir a vitória ao prometer libertar o ex-presidente Alberto Fujimori da prisão.

Após mais de 14 horas de debate, em que os parlamentares fizeram discursos acalorados contra e favor do líder peruano, houve 10 abstenções por parte do partido fujimorista. Foram 78 votos a favor, 19 contra e 21 abstenções em um Congresso de 130 legisladores. "Não foi aprovado o pedido de destituição por incapacidade moral permanente", declarou o presidente do Congresso, Luis Garreta.

Pelo Twitter, Kuczynski prometeu reconciliação. "Peruanos, amanhã começa um novo capítulo em nossa história: reconciliação e reconstrução em nosso país. Um só força, um só Peru", escreveu o mandatário no Twitter.

Em casa, no município de San Isidro, o presidente saiu até a varanda para cumprimentar as dezenas de pessoas que foram felicitá-lo pela vitória.

Antes da votação, Kuczynski fez um apelo aos parlamentares para deixar de lado acusações não comprovadas de corrupção contra ele para defender o Peru do que chamou de uma tentativa de golpe por parte do partido de direita Força Popular, legenda que surgiu do movimento populista iniciado na década de 1990 por Fujimori, que cumpre pena de 25 anos de prisão por corrupção e crimes contra os direitos humanos.

O governo de Kuczynski havia negado que um perdão ao ex-presidente faria parte das negociações políticas. Entretanto, a parlamentar do Força Popular Cecilia Chacón disse a repórteres que o governo prometeu a uma facção de seu partido que Fujimori seria perdoado se os políticos apoiassem Kuczynski.

O Presidente do Peru está sob intensa pressão desde a semana passada, quando um painel de investigação formado por parlamentares opositores revelou que a Odebrecht fez pagamentos de quase US$ 800 mil a uma empresa de consultoria de Kuczynski em meados da década passada. À época, ele ocupava cargos de primeiro escalão na gestão de Alejandro Toledo.

Até ter sido forçado a admitir que ganhou "algum dinheiro" da Odebrecht, após a revelação dos documentos, Kuczynski negava repetidamente que tivesse qualquer relação com a empreiteira brasileira. Nos discursos da oposição, esse fato foi levantado repetidas vezes e foram apresentados vídeos em que Kuczynski negava o envolvimento com a empreiteira durante entrevistas.

Mais cedo, na sessão do Congresso desta quinta-feira, Kuczynski apresentou sua defesa pessoalmente. "Não está em jogo minha permanência no cargo, está em jogo a estabilidade democrática, não apoiem uma destituição que não se sustenta, porque o povo não duvida, nem perdoa", disse Kuczynski aos parlamentares. /EFE, REUTERS, AP, e AFP


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