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25/10/2018 06:56 G1 - Mundo

Imigrantes da América Central seguem em caravana para o norte no México

Grupo voltou à estrada após tirar um dia para descansar e fazer vigília em homenagem a participante que morreu em acidente. Apesar de pressão de Trump, intenção de milhares é caminhar mais 1.700 km e alcançar a fronteira dos Estados Unidos.

Milhares de imigrantes centro-americanos deixaram um cidade no sul do México antes do amanhecer nesta quarta-feira (24), esperando vencer o sol forte e a pressão do governo mexicano para impedir sua jornada para o norte.

Milhares de homens, mulheres e crianças, a maioria deles de Honduras, saíram à pé da cidade de Huixtla, no Estado de Chiapas, no sul do México, para continuar a dura e lenta caminhada até a fronteira com os Estados Unidos, a mais de 1.700 quilômetros de distância.

A jornada atraiu a ira do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que já ameaçou o corte de verbas de ajuda para a América Central e usou o movimento para atrair apoio para seu partido Republicano antes das eleições parlamentares de 6 de novembro.

A caravana, que começou como uma marcha de algumas centenas de pessoas a partir da cidade hondurenha devastada pelo crime de San Pedro Sula no dia 13 de outubro, foi inflada para milhares de pessoas ao receber imigrantes de El Salvador, Nicarágua, Guatemala e continuou no México.

 
Integrantes de caravana da América Central escolhem roupas entre doações recebidas durante jornada até Mapastepec, no México, na quarta-feira (24) — Foto: AP Photo/Rodrigo AbdIntegrantes de caravana da América Central escolhem roupas entre doações recebidas durante jornada até Mapastepec, no México, na quarta-feira (24) — Foto: AP Photo/Rodrigo Abd

Integrantes de caravana da América Central escolhem roupas entre doações recebidas durante jornada até Mapastepec, no México, na quarta-feira (24) — Foto: AP Photo/Rodrigo Abd

Autoridades imigratórias mexicanas disseram aos migrantes que eles não poderão atravessar ilegalmente para os Estados Unidos, mas cidadãos independentes ofereceram suprimentos e caronas aos migrantes.

Em Huixtla, moradores e grupos religiosos doaram roupas, e as autoridades locais providenciaram vacinas, água e comida.

"O povo mexicano nos deu muito mais do que esperávamos", disse a ativista migrante Argelia Ramirez, uma das porta-vozes para a caravana que não tem uma liderança definida.

Trump repetidamente fez comentários que parecem ter como objetivo pressionar o México a conter a caravana. Autoridades já tentaram caminhar sobre a linha tênue entre responder às demandas de Washington para controlar as fronteiras e ao mesmo respeitar os direitos dos migrantes.

 
Famílias que participam de caravana da América Central descansam em acostamento durante jornada até Mapastepec, no México, na quarta-feira (24) — Foto: Reuters/Ueslei MarcelinoFamílias que participam de caravana da América Central descansam em acostamento durante jornada até Mapastepec, no México, na quarta-feira (24) — Foto: Reuters/Ueslei Marcelino

Famílias que participam de caravana da América Central descansam em acostamento durante jornada até Mapastepec, no México, na quarta-feira (24) — Foto: Reuters/Ueslei Marcelino

O ministro do Interior do México disse em um comunicado na terça-feira que cerca de 4.500 chegaram a Huixtla, cerca de 50 quilômetros ao norte da fronteira com a Guatemala.

Ramirez disse que mais de 11 mil pessoas se reuniram na cidade na terça-feira e na quarta-feira se dirigiam para a cidade de Mapastepec, a 110 quilômetros de distância. A Reuters não conseguiu verificar quantas pessoas estariam reunidas em Huixtla.

Os migrantes acamparam a céu aberto na noite de terça-feira, sob a chuva, com muitas pessoas buscando abrigo sob marquises ou toldos de lojas, e tentando dormir cedo para se preparar para a longa caminhada antes do amanhecer.

Dezenas se levantaram para a luz de velas de uma vigília tarde da noite na praça da cidade para homenagear em silêncio um companheiro que caiu de um caminhão e morreu no trajeto de 40 quilômetros desde a cidade de Tapachula na segunda-feira.

Pelo menos dois homens, ambos hondurenhos, morreram até agora nas estradas durante a jornada dos migrantes para o norte, disseram as autoridades.

Um outro grupo de pelo menos mil migrantes, a maioria deles também de Honduras, saíram devagar a pé da cidade de Chiquimila, na Guatemala, segundo uma testemunha da Reuters. A imprensa local colocou o número do grupo em até 2 mil pessoas.


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