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30/10/2018 05:00 R7

México está perto de ser palco de crise igual à da Venezuela

Especialista diz que presidente eleito é mais aberto a imigrantes e, em curto prazo, pode haver crise humanitária na fronteira com EUA.

violência e desvalorização dos direitos humanos. O atual governo mexicano do presidente Enrique Peña Nieto se depara com baixíssimos índices de popularidade e, pressionado pelos Estados Unidos, tem tentado impedir a entrada de imigrantes, vindos da América Central, que utilizam o país como passagem para território americano.

Na última semana, uma caravana de pelo menos 7 mil pessoas, com hondurenhos, guatemaltecos e salvadorenhos, ingressou no México, furando o bloqueio na fronteira, para irritação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A situação em curto prazo tende a se agravar, já que, em dezembro, o novo presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador, tomará posse e, com um discurso mais voltado para os direitos humanos, já avisou que irá permitir a entrada de imigrantes da América Central. A opinião é de Miguel Ángel Lara, pesquisador e professor pela Universidade Iberoamericana, da Cidade do Mexico.

"A promessa de López Obrador é permitir a passagem de centro-americanos. Agora o problema será maior na fronteira norte. Os Estados Unidos não permitem a passagem deles e o México poderá ter em suas mãos uma crise humanitária. É tão grave como a crise migratória venezuelana."

O discurso refratário a Trump, feito por Peña Nieto, em relação à construção do muro na fronteira, está se derretendo diante da realidade. Segundo Lara, Trump condicionou a manutenção das bases do Acordo (USMCA), novo tratado de comércio na América do Borte, Estados Unidos-México-Canadá, a algumas iniciativas do governo mexicano, como a de impedir a entrada de pessoas vindas da América Central rumo aos Estados Unidos.

Lara conta que, no Estado de Chiapas (sul do México), para os imigrantes não se aproximarem da fronteira, forças policiais lançaram sobre eles inseticida contra o mosquito da dengue. É verdade que não houve repressão quando a caravana, que começou como uma marcha de algumas centenas de pessoas a partir de San Pedro Sula, cidade hondurenha considerada a capital mundial do crime. E que Peña Nieto adotou um discurso de acolhimento nos últimos dias.

Mas Lara aponta que isso se deve mais à pressão da sociedade mexicana do que a uma agenda governamental de respeito aos direitos humanos. Os imigrantes receberam ajuda de muitos moradores das cidades pelas quais passaram. Ao chegarem a Huixtla, em Chiapas, ainda teriam de andar mais cerca de 1,7 mil km até a fronteira americana. Mas estavam dispostos. Os riscos da caminhada eram menos ameaçadores do que a fome e o medo com o qual se deparavam em seus países.

"Esta situação tem sido incômoda para o governo, mas não para a sociedade civil. O governo não tem dado ajuda humanitária, desobedecendo os protocolos para refugiados da ONU (Organização das Nações Unidas). São a sociedade civil e as organizações humanitárias que estão dando ajuda para a caravana de imigrantes."

Programa sociais

 

Peña Nieto irá deixar o governo de forma bastante contestada. A disseminação de carteis de drogas aumentou o índice de violência. O governo não deu resposta sobre o desaparecimento de 43 estudiantes da escola rural de Ayotzinapa, no estado de Guerrero, após ataque realizado por criminosos e policiais corruptos, que supostamente os entregaram a um cartel local.

Como uma caravana de migrantes rumo aos EUA desafia Donald Trump e o governo do México

Além disso, o governo está sendo responsabilizado por um massacre de civis em um povoado chamado Tlataya, Estado de México, além de não ter esclarecido o desaparecimento e assassinato de 41 jornalistas. Outros 1986 foram agredidos.

Diante deste quadro, Lara conta que López Obrador tem prometido implementar programas sociais. Um deles justamente voltado a refugiados da América Central.

"Nesta quarta-feira (24) mesmo veio a informação de que o novo governo quer financiar projetos de desenvolvimento para a América Central. Mas em curto prazo tem se pensado em criar programas de emprego de centro-americanos no México."

A perspectiva, porém, é de que, assim que López Obrador assumir, o número de imigrantes que utilizam o México como corredor crescerá substancialmente. Será um momento de apreensão, já que o governo de Donald Trump deverá impedir a entrada da grande maioria, conforme afirma Lara.

"Trump já alertou a Patrulha de Fronteira e a Guarda Nacional. Mike Pompeo, secretário de Estado, disse há alguns dias que a caravana não entrará nos Estados Unidos, senão legalmente. Do contrário, atuarão no marco da lei."

E, ultimamente, o rigor da lei tem causado muito sofrimento, deportações em massa e separações de famílias. Apenas essa lei, porém, não tem resolvido problema de dimensão tão grande, conforme diz Lara.

"Este é uma questão com uma densidade social, política e migratória muito forte."


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