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07/11/2018 06:06 G1 - Mundo

Democratas conquistam Câmara e republicanos ampliam maioria no Senado dos EUA

Democratas também terão mais governadores do que atualmente. Republicanos obtiveram vitórias em três estados antes nas mãos dos adversários e ganharam folga em sua liderança no Senado.

O Partido Democrata conquistou a maioria da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos. O resultado das eleições legislativas significa uma derrota parcial para o presidente Donald Trump já que o seu partido, o Republicano, ampliou sua vantagem no Senado.

As “midterms” (eleições de meio de mandato) desta terça (6) definiram uma nova Câmara e renovaram um terço do Senado, além de mais de 75% dos governos estaduais. Até agora, os republicanos mantinham maioria nas duas casas, o que facilitava a aprovação da agenda presidencial.

Todas as 435 cadeiras da Câmara estavam em disputa, e um partido precisava de 218 eleitos para garantir a maioria. Para os democratas, isso significava ter que "roubar" 24 postos de seus adversários, o que eles conseguiram. No momento em que atingiu os 218, na madrugada desta quarta (7), o Partido Republicano somava 192 deputados eleitos.

Com o domínio democrata na Câmara, os opositores de Trump também passarão a ocupar mais cargos nas comissões internas e prometem ampliar as investigações sobre seu governo.

Senado

Das 33 cadeiras disputadas no Senado (outras duas eram alvo de uma eleição especial), os democratas precisavam manter as 22 que já mantinham, além das duas dos independentes que os acompanham nas votações, e ainda somar mais duas. Mas, pelo contrário, acabaram perdendo três, nos estados de Indiana, Dakota do Norte e Missouri.

Com isso, a maioria republicana, antes de 50 a 49, se tornou mais folgada, com pelo menos 51 a 44 (ou 46, considerando os votos dos senadores independentes), ainda faltando cinco estados concluírem sua apuração.

Segundo o chefe de gabinete da líder democrata Nancy Pelosi, o presidente Donald Trump telefonou para ela para cumprimentá-la pela vitória democrata na Câmara. Ele a agradeceu pelo chamado ao bipartidarismo que ela fez em seu discurso, disse Drew Hammil no Twitter.

 
A líder democrata na Câmara dos EUA, Nancy Pelosi, comemora resultados das eleições com integrantes de seu partido em Washington, na terça-feira (6) — Foto: Reuters/Jonathan ErnstA líder democrata na Câmara dos EUA, Nancy Pelosi, comemora resultados das eleições com integrantes de seu partido em Washington, na terça-feira (6) — Foto: Reuters/Jonathan Ernst

A líder democrata na Câmara dos EUA, Nancy Pelosi, comemora resultados das eleições com integrantes de seu partido em Washington, na terça-feira (6) — Foto: Reuters/Jonathan Ernst

Ao falar a eleitores e membros do Partido Democrata em Washington, Pelosi foi recebida aos gritos de “presidente, presidente”, em uma indicação de seu favoritismo a ocupar a posição de presidente da Câmara. "Graças a vocês ganhamos terreno. Graças a vocês, amanhã será um novo dia na América", disse ela em seu discurso.

Alguns destaques desta eleição:

  • A democrata Alexandria Ocasio-Cortez, de Nova York, se tornou a mulher mais jovem a ser eleita para a Câmara, aos 29 anos.
  • As democratas Ilhan Omar, de Minnesota, e Rashid Tlaib, de Michigan, se tornaram as primeiras mulheres muçulmanas eleitas para a Câmara.
  • As democratas Deb Haaland, do Novo México, e Sharice Davids, de Kansas, são as primeiras mulheres de origem indígena a se elegerem para a Câmara.
  • Em Mississippi, nenhum candidato obteve 50% dos votos na eleição especial para a segunda vaga do Senado, e uma nova votação será realizada em 27 de novembro.
  • Bernie Sanders, ex-pré-candidato à presidência, conquistou com facilidade seu terceiro mandato como senador por Vermont.
  • O republicano Ted Cruz, ex-pré-candidato à presidência, manteve sua vaga no Senado em uma das mais acirradas disputas deste ano, ao vencer Beto O’Rourke.
  • Greg Pence, irmão mais velho do vice-presidente Mike Pence, foi eleito para a Câmara por Indiana.
  • Jared Polis, do Partido Democrata, se tornou o primeiro governador abertamente gay dos EUA ao vencer a disputa em Colorado.
 
Eleitoras do republicano Ron DeSantis comemoram sua vitória nas eleições ao governo da Flórida, em Orlando, na terça-feira (6) — Foto: Reuters/Carlo AllegriEleitoras do republicano Ron DeSantis comemoram sua vitória nas eleições ao governo da Flórida, em Orlando, na terça-feira (6) — Foto: Reuters/Carlo Allegri

Eleitoras do republicano Ron DeSantis comemoram sua vitória nas eleições ao governo da Flórida, em Orlando, na terça-feira (6) — Foto: Reuters/Carlo Allegri

Governadores

As “midterms” (eleições de meio de mandato) também proporcionaram uma mudança na representação dos governos estaduais. Dos 50 estados, 36 tiveram eleições, e os números foram favoráveis ao Partido Democrata, que inclusive ganhou em locais onde Trump foi vitorioso em 2016, como o Kansas.

Agora, serão ao menos 25 governadores republicanos e 21 democratas (quatro estados ainda não divulgaram seus resultados). Atualmente, são 33 republicanos, 16 democratas e um independente.

Não decididos

No estado do Mississippi, que realizou uma eleição especial para sua segunda cadeira no Senado, nenhum dos quatro candidatos obteve 50% dos votos e por isso haverá uma segunda votação para o posto, marcada para 27 de novembro. Os candidatos concorrem à vaga deixada pelo republicano Thad Cochran, que se afastou por problemas de saúde.

Já o estado de Arizona não declarou a vencedora em sua eleição para o Senado na noite de terça. De acordo com a CNN, a porta-voz do Gabinete de Registros do Condado de Maricopa, Murphy Hebert, informou que nem todos os votos foram recebidos ainda.

Apenas na manhã de quarta-feira serão computados os votos antecipados de eleitores que entregaram suas cédulas pessoalmente, e que ainda estão sendo transportados. O resultado oficial deve ser divulgado na quinta-feira. A vaga é disputada pela democrata Kyrsten Sinema e a republicana Martha McSally.

Trump

Para o presidente Donald Trump, a votação serviu como um termômetro para avaliar a reação do eleitorado aos seus dois primeiros anos de governo. Em geral, o partido do presidente costuma perder assentos nas “midterms”.

Trump se envolveu diretamente na campanha e participou de 11 comícios em oito estados, subindo inclusive no palanque de seu ex-adversário e grande desafeto Ted Cruz, candidato à reeleição no Texas. Sua participação durou até os últimos instantes e ele participou de três atos em Cleveland (Ohio), Fort Wayne (Indiana) e Cape Girardeau (Missouri) na segunda-feira, regressando à Casa Branca apenas na madrugada de terça, horas antes da abertura da votação.

 
Trump participa de comício em Cape Girardeau, Missouri, nesta segunda — Foto: AP/Jeff RobersonTrump participa de comício em Cape Girardeau, Missouri, nesta segunda — Foto: AP/Jeff Roberson

Trump participa de comício em Cape Girardeau, Missouri, nesta segunda — Foto: AP/Jeff Roberson

No último discurso da campanha, em Missouri, o presidente chegou a afirmar que a eleição seria um referendo sobre sua administração. "De certo modo, eu estou na cédula de voto", disse.

Os eleitores, porém, se mostraram divididos quanto a isso. Em uma pesquisa de boca de urna divulgada pela CNN na noite da eleição 39% dos eleitores disseram que foram às urnas para expressar sua oposição ao presidente, enquanto 26% disseram que queriam mostrar apoio a ele. Trinta e três por cento disseram que Trump não foi um fator em seu voto.

Imigração

Ao longo de toda a campanha, Trump usou o tema da imigração para criticar fortemente os democratas e tentar obter votos para os republicanos.

Em suas declarações, ele acusava a oposição de ter criado e aprovado leis que permitem a entrada e estada no país de imigrantes ilegais e adotou um discurso duro em relação à caravana de hondurenhos que se dirige aos EUA, e que ele garante que não permitirá que entre.

Para isso, o presidente enviou tropas à fronteira com o México e prometeu construir “uma cidade de tendas” para abrigar as pessoas sem que elas tenham acesso ao país.

Trump chegou também a postar um vídeo – criticado até mesmo por membros de seu partido – do julgamento de Luis Bracamontes, um imigrante ilegal mexicano que matou policiais, e comentou: “democratas o deixaram entrar em nosso país... democratas o deixaram ficar”. Acrescentando então cenas da caravana, ele continuou, “quem mais os democratas deixarão entrar?”

Ele também afirmou que pretende revogar o direito à cidadania para quem nasce nos Estados Unidos, uma iniciativa que ele não teria poderes para aplicar com um decreto presidencial e que não foi bem aceito por grande parte da população.

 
Eleitores votam na Igreja Presbiteriana Glen Echo, em Columbus, Ohio, na terça-feira (6) — Foto: AP Photo/John MinchilloEleitores votam na Igreja Presbiteriana Glen Echo, em Columbus, Ohio, na terça-feira (6) — Foto: AP Photo/John Minchillo

Eleitores votam na Igreja Presbiteriana Glen Echo, em Columbus, Ohio, na terça-feira (6) — Foto: AP Photo/John Minchillo

 Obama

Os democratas, por sua vez, contaram com o apoio de celebridades e do ex-presidente Barack Obama, que subiu ao palanque de alguns candidatos para combater o que chamou de “um discurso que tenta gerar o medo”.

Na sexta-feira, ele esteve em Atlanta, na Geórgia, pedindo que os eleitores votassem e declarando seu apoio à mulher que poderia ter se tornado a primeira governadora negra eleita nesse estado, Stacey Abrams. A mesma candidata teve ainda o apoio da apresentadora Oprah Winfrey.

"As consequências da abstenção são profundas, já que os Estados Unidos se encontram em uma encruzilhada", assinalou naquele dia. "Os valores do nosso país estão em jogo".

Os democratas também tiveram um forte apoio do independente Bernie Sanders, que disputou as primárias com Hillary Clinton para enfrentar Trump nas eleições presidenciais de 2016. Com sua reeleição garantida como senador em Vermont, ele rodou o país em atos onde incentivava as pessoas a se registrarem e a votarem em candidatos independentes e democratas.

Entre os eleitores jovens, um grande impulso veio da cantora Taylor Swift, que pela primeira vez se manifestou publicamente sobre política, anunciando que iria votar nos democratas Phil Bredesen para o Senado e Jim Cooper para a Câmara dos Deputados por seu estado, o Tennessee.

De acordo com o site vote.org, após a declaração da cantora, em apenas dois dias foram relatados 240 mil registros de novos eleitores, sendo 102 mil deles de pessoas entre 18 a 29 anos. Em comparação, o site teve 57 mil registros novos em todo o mês de agosto e 190 mil em setembro.

Facebook

Na noite da segunda-feira (5), 30 contas no Facebook e 85 no Instagram foram bloqueadas depois que o Facebook recebeu uma denúncia das autoridades policiais americanas. A empresa afirma que as investigações estão em "estágio inicial" e que as contas podem estar "envolvidas em um comportamento não autêntico coordenado".

Apesar de as investigações estarem em fase preliminar, o Facebook decidiu fazer o anúncio publicamente por causa da importância da votação.

Incidentes

A campanha esteve marcada por dois violentos incidentes: o envio de pacotes com explosivos a proeminentes líderes democratas e o massacre em uma sinagoga em Pittsburgh, onde morreram 11 pessoas. Os dois incidentes motivaram acusações de que Trump estimula a violência com seus tuítes e discursos cheios de duros ataques contra seus opositores.

O presidente americano, que participou ativamente da campanha, reagiu culpando os jornalistas críticos de alimentarem o extremismo.

 
O presidente dos EUA, Donald Trump, deposita uma pedra em homenagem a vítimas de massacre em memorial na Sinagoga Árvore da Vida, acompanhado pela primeira-dama, Melania, e pelo rabino Jeffrey Myers, em Pittsburgh, na terça-feira (30) — Foto: Reuters/Kevin LamarqueO presidente dos EUA, Donald Trump, deposita uma pedra em homenagem a vítimas de massacre em memorial na Sinagoga Árvore da Vida, acompanhado pela primeira-dama, Melania, e pelo rabino Jeffrey Myers, em Pittsburgh, na terça-feira (30) — Foto: Reuters/Kevin Lamarque

O presidente dos EUA, Donald Trump, deposita uma pedra em homenagem a vítimas de massacre em memorial na Sinagoga Árvore da Vida, acompanhado pela primeira-dama, Melania, e pelo rabino Jeffrey Myers, em Pittsburgh, na terça-feira (30) — Foto: Reuters/Kevin Lamarque

Em seus comícios, Trump usou de sua experiência como apresentador de televisão para cativar seu público e se colocar no centro do debate.

Em seus discursos, com um estilo que mistura declarações grandiloquentes, linguagem simples e toques de humor para atingir seus críticos, o presidente tem colocado os eleitores diante da escolha entre a sua gestão, que expandiu a economia e levou o desemprego a um mínimo de 3,7%, além da sua visão de segurança, e as posturas dos democratas, os quais chama de extremistas de esquerda.

A estratégia de centralizar todo o debate político na sua figura é uma aposta, assim como a virada em seus discursos, que passaram dos elogios às conquistas econômicas de sua gestão a uma narrativa dura -- e considerada pelos oposicionistas de racista -- com a qual denuncia a imigração ilegal como uma "invasão".

A poucos dias das eleições, Trump enviou milhares de soldados à fronteira com o México e sugeriu que se os migrantes centro-americanos das caravanas lançassem pedras contra os militares, estes poderiam responder com tiros, apesar de ter se retratado depois.

A mensagem que repete é que os democratas irão converter o país em um antro de crimes e drogas. "Eles querem impor o socialismo no nosso país. E querem apagar as fronteiras dos Estados Unidos", disse no domingo à noite durante um comício em Chattanooga, no Tennessee.

A tática funcionou para ele em 2016 quando, contra todos os prognósticos, conseguiu ser eleito. Mas esses discursos também irritam muitas pessoas, dando aos democratas uma esperança de mais mobilização.


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