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01/04/2019 06:44 IstoÉ

Papa alerta cristãos do Marrocos contra o proselitismo

O papa Francisco dedica, neste domingo (31), seu segundo dia no Marrocos às pequenas comunidades cristãs do país, uma oportunidade para fazer um alerta contra qualquer tentação de “proselitismo” para expandir suas fileiras.O papa Francisco dedica, neste domingo (31), seu segundo dia no Marrocos às pequenas comunidades cristãs do país, uma oportunidade para fazer um alerta contra qualquer tentação de “proselitismo” para expandir suas fileiras.
Na catedral de Rabat, cercada por um forte esquema de segurança, o papa explicou às pequenas comunidades cristãs que o importante não é ser numerosos, mas ilustrar muito concretamente os ensinamentos da Igreja.
 
“Continuem próximos daqueles que são frequentemente excluídos, os pequenos e os pobres, os prisioneiros e os migrantes”, disse o papa, que no dia anterior encontrou 80 migrantes em um centro humanitário da Cáritas.
Por outro lado, “os caminhos da missão não passam pelo proselitismo, que sempre leva a um beco sem saída”, afirmou o papa.
 “Por favor, sem proselitismo!”, voltou a insistir, indicando que “a Igreja cresce não por proselitismo, mas por testemunho”.
Esta observação recorrente do papa tem uma ressonância particular em um país onde o proselitismo ativo junto aos muçulmanos marroquinos pode ser punido com até três anos de prisão.
 
Por outro lado, os muçulmanos teoricamente têm o direito de se converter se for sua própria escolha, uma abertura notável em comparação com outros países como os Emirados Árabes Unidos, onde a conversão incorre em morte.
– “Cristãos de outros países” –
 
O rei do Marrocos, Mohammed VI, presente na tarde de sábado ao lado do papa, com exceção do encontro com os migrantes, disse: “eu protejo os judeus marroquinos e cristãos de outros países que vivem no Marrocos”.
Ele não fez, portanto, nenhuma referência à existência muito discreta de milhares de marroquinos convertidos ao cristianismo, que não arriscam entrar em uma igreja e advogam desde 2017 para beneficiar plenamente a liberdade de religião inscrita na Constituição.
 
Dentro da catedral de Rabat, repintada para a ocasião, representantes religiosos, padres e freiras, vindos do Marrocos, mas também de outros países da África Ocidental, saudaram o papa com emoção, pontuando sua chegada de youyous e aplausos, imortalizando o momento com seus telefones celulares.
 
O papa agradeceu-lhes a “humilde e discreta presença”, abraçando a irmã mais velha Ersillia Mantovani, de 97 anos, franciscana italiana que acaba de celebrar 80 anos de vida religiosa.
 
Antes de se dirigir à multidão calorosa, algumas irmãs beijaram seu anel pontifício. Um padre havia avisado as cerca de 400 pessoas presentes na catedral que o pontífice não gostava dessa prática, que pode espalhar micróbios entre os fiéis.
 
Antes de partir, o papa cumprimentou os representantes do Conselho de Igrejas Cristãs do Marrocos, criado para promover o diálogo ecumênico, que reúne as igrejas católica, anglicana, evangélica, ortodoxa grega e ortodoxa russa.


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