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04/02/2019 06:57 Midia News

Após perder a filha, mulher pede ajuda para criar os dois netos

Uma família que vive em um barraco de madeira no Bairro Parque Mariana, em Cuiabá, precisa de doações para sobreviver. Valquíria de Carvalho, de 46 anos, mora no local com os netos dela, Thalisson, de 7 anos, e Thayná, de 2 anos.Uma família que vive em um barraco de madeira no Bairro Parque Mariana, em Cuiabá, precisa de doações para sobreviver. Valquíria de Carvalho, de 46 anos, mora no local com os netos dela, Thalisson, de 7 anos, e Thayná, de 2 anos.
 
“Preciso ser forte”, diz Valquíria, que desde o final do ano passado recebe doações arrecadadas pelo projeto social Resenha Solidária para conseguir viver e criar os netos.
 
O organizador do projeto, Rafael Mendes, contou que a conheceu a história da família no último Natal, quando arrecadaram doações para a família.
 
Em seguida, passaram a tentar organizar uma festa de aniversário para Thayná - a primeira da vida dela - e a conseguirem doações para melhorar a qualidade de vida da família.
 
“Na ocasião, levamos alimentos e roupas para eles, também conseguimos doações de brinquedos e picolés para as crianças. Quando conhecemos a Thayná, prometemos começar a ação para o aniversário de três aninhos dela”, lembrou.,
 
Para conseguir realizar a festa, os integrantes do projeto estão buscando doações de brinquedos, como pula-pula, máquina de algodão doce, salgadinhos e um bolo de aniversário especial para Thayná.

A comemoração acontecerá em uma das casas da Rua Acorizal, mesmo endereço ocupado pela família há sete anos, no dia 9 de fevereiro.A comemoração acontecerá em uma das casas da Rua Acorizal, mesmo endereço ocupado pela família há sete anos, no dia 9 de fevereiro.
 
“Não teria dinheiro para fazer uma festa para minha neta, a vida anda muito difícil. Vivemos com um salário mínimo. Ela [Thayná] ficou muito animada quando soube que ia ganhar uma festinha”, contou Valquíria.
 
Além das doações para o primeiro aniversário da criança, o Resenha Solidária também organizou uma ação social paralela para ajudar a família. 
 
O barraco de madeira onde moram atualmente está visivelmente comprometido, já que foi construído com pedaços de madeiras antigas, que foram doadas à família. Além disso, eles não possuem geladeira e fogão. Nos dias mais quentes, também sofrem com a falta de ventiladores. 
 
Sobrevivência
 
Atualmente, a renda total da família gira em torno de R$ 998, proveniente do trabalho de gari do marido de Valquíria. Após os descontos previstos na Consolidação das Leis do trabalho (CLT), sobram pouco mais de R$ 900 para os quatro sobreviverem.
 
Antes de ver uma grave infecção tomar conta de sua perna, que fez o membro dobrar de tamanho e entrar em processo necroso, Valquíria costumava trabalhar com limpeza de rua, assim como o marido e a filha Kívia Patrine de Carvalho, de 24 anos, que faleceu há dez meses após um aneurisma cerebral.
 
“Era por contrato. Quando o contrato acaba já sabe, né? Depois minha perna começou a ficar vermelha, criou bolhas de água e aí abriu um ‘buraco’. Me mandavam da policlínica para o postinho, do postinho para a policlínica”, lembrou.
 
Há quatro anos e três meses, Valquíria luta para conseguir atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Há uma semana, conseguiu iniciar um tratamento no Hospital Universitário Julio Muller, em Cuiabá.

Ela também contou que seus dentes já estão fracos devido ao uso frequente de antibióticos. A vizinha e grande amiga de Valquiria há mais de 20 anos, Anair Aparecida Oishi, de 54 anos, contou que muitas vezes escuta os gritos de dor da mulher. Ela também contou que seus dentes já estão fracos devido ao uso frequente de antibióticos. A vizinha e grande amiga de Valquiria há mais de 20 anos, Anair Aparecida Oishi, de 54 anos, contou que muitas vezes escuta os gritos de dor da mulher. 
 
Valquíria contou que, no dia 21 de fevereiro, vai realizar uma bateria de exames para tentar descobrir a origem da infecção.
 
“Os médicos só falam que é difícil de conter a infecção, não sabem de onde ela vem. Mas que é difícil eu sei, pois vivo a base de remédios”, contou.
 
Nos dias de dor intensa, Valquíria mal consegue se levantar da cama. Ela contou que a ferida que está aberta, coça muito e faz com que ela sinta "fisgadas" constantes na perna.
 
Sonho de trabalhar
 
Questiona sobre qual é seu grande sonho, Valquíria não pediu por um prêmio milionário na loteria. Sentada em uma cadeira de fio em frente ao seu barraco de madeira, ela diz que a única vontade que tem é de voltar a trabalhar.
 
“Quero sarar, porque preguiça de trabalhar não tenho, não. Trabalhava limpando ruas nesse sol de 40 graus, caminhava 3 km de manhã e 2 km à tarde varrendo”, respondeu.
 
Antes de adoecer, a mulher costumava fazer salgados para vender. Uma placa antiga pendurada na cerca de madeira do barrado da família diz “vende-se pastel” e é a única lembrança do tempo em que ela ainda podia trabalhar.
 
“Fazia salgado, suco ou bolo de pote, tudo que fosse possível para ganhar um dinheirinho extra. Hoje não posso mais. Minha mão está em carne viva”, contou, enquanto mostrava as feridas entre os dedos das mãos.

Mesmo com tantos problemas de saúde, Valquíria se desdobra para cuidar dos dois netos que moram com ela. O terceiro neto divide a moradia entre a casa dela e a da vó materna.Mesmo com tantos problemas de saúde, Valquíria se desdobra para cuidar dos dois netos que moram com ela. O terceiro neto divide a moradia entre a casa dela e a da vó materna.
 
“A casa do pai do Thalisson alagou em uma chuva, eles tiveram que se mudar e agora ele prefere ficar comigo. E crio a Thayná desde que a mãe dela morreu. Ela é o meu tesouro”, contou.
 
Valquíria também luta para conseguir uma cirurgia na mão do neto mais velho, que nasceu com uma deficiência. A mão direita e os dedos de Thalisson são mais curtos e o problema tem se agravado pela falta de tratamento.
 
“A mãozinha dele está atrofiando. Fico preocupada com o desenvolvimento dele, mas desde que ele nasceu levo em hospitais, fizemos um cadastro para conseguir atendimento com um pediatra cirurgião, mas está parado há muitos anos, nunca chegou a vez dele”, disse.
 
Vez ou outra Thalisson pergunta para a avó quando ela conseguirá “consertar a mão dele”.
 
“Perdi minha companheira”
 
A postura forte que Valquíria faz questão de exibir desmorona quando ela fala de sua filha Kívia, mãe de Thayná. Mãe de outros cinco filhos, ela contou que a jovem era a única que morava com ela.Ambas costumavam dividir os problemas e enfrentarem as dificuldades juntas.
 
Há dez meses, Valquíria tenta aprender a viver com a dor de ter perdido seu “braço direito”, como chamava a filha.
 
No dia 17 de março do ano passado, a jovem, que também trabalhava com limpeza de ruas com o pai, desmaiou enquanto procuravam uma sombra para almoçar.

“O pai dele escutou o grito. Quando pegou ela nos braços, ela já tinha urinado nas roupas de tanta dor. Só deu tempo de colocar ela no carro e levar para o hospital”, lembrou.“O pai dele escutou o grito. Quando pegou ela nos braços, ela já tinha urinado nas roupas de tanta dor. Só deu tempo de colocar ela no carro e levar para o hospital”, lembrou.
 
Kívia foi levada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Planalto, onde ficou internada aguardando o resultado de um exame.
 
“Era um exame da cabeça. Ficaram esperando o laudo. Não sei se ficou pronto e o  médico viu que não tinha mais jeito, mas nunca vimos o resultado”, contou.
 
A jovem sofreu uma parada cardíaca e entrou em coma induzido sem precisar de medicação.
 
Valquíria contou que, no dia 19 de março, acordou por volta das 6h com uma chuva fina em Cuiabá.
 
Ela se lembrou de ter pensado que naquele momento “uma alma boa estava indo para o céu”.
 
“Falei para uma vizinha que uma alma boa estava indo para o céu, todos me olharam chocados, pois já sabiam que ela tinha morrido. Fiquei sabendo só horas depois, quando a madrinha da Kívia teve coragem de me contar”, lembrou.
 
Valquíria contou que, no dia do parto de Thayná, a filha sentou-se na cama e pediu para que a mãe cuidasse da menina para sempre.
 
“Ela teve um parto difícil porque tinha um problema no coração. O médico disse que apenas uma sairia viva. Quando foram para o quarto, vi as duas sorrindo. Agora, ela deixou um pedaço dela para mim”, disse.
 
A situação da família piorou após a morte de Kívia. De acordo com Valquíria, quando a jovem era viva, as crianças não passavam por tantas dificuldades, já que Kívia sempre fazia questão de conseguir dinheiro e fazer compras de mercado para a família.
 
Para Valquíria, toda a ajuda que a família recebe para conseguir sobreviver é um reflexo das boas ações que a filha fazia quando era viva.
 
“Todo mundo ficou muito abalado com a morte dela, era uma menina boa. Mesmo sem condição, ela fazia o possível para ajudar a todos. Minha vida não tem mais alegria”, desabafou.
 
Quem quiser ajudar Valquíria e os netos, pode entrar em contato com o Rafael, do projeto Resenha Solidária, pelo telefone : (65) 99991-6565. 


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