Juara (MT), 30 de maio de 2017 - 01:56

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Saúde

13/03/2017 13:25 Circuito MT

Mato Grosso ainda não superou a cultura dos manicômios

Os serviços de atendimento à saúde mental em Mato Grosso caminham a passos lentos, travados pela resistência em encarar os casos de transtornos mentais como problema de saúde pública. Hoje, existe uma fragilizada Rede de Atendimento Psicossocial (RAPS), modelo que integra família e rede pública de saúde, que tenta substituir o programa anterior baseado em tratamento e internação a longo prazo em hospitais psiquiátricos.

Segundo a presidente do Conselho Regional de Psicologia de Mato Grosso (CRP18), Morgana Moura, três fatores pesam ainda contra a implantação do modelo de tratamento em rede para viés mais humanizado dos pacientes: o uso do dinheiro público, a formação dos profissionais e a visão social à qual ela chama de “cultura manicomial”.

“No modelo anterior os pacientes eram isolados da sociedade em internação por longo período em hospitais; seguia-se uma lógica manicomial. O modelo dos anos 1970 é mais humanitário, pois seus defensores acreditam que o paciente deve ser tratado na convivência com a sociedade, tendo a internação como último caso”, diz Morgana.

O Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) é parte importante da rede de saúde pública. Hoje, a unidade está instituída no Brasil em cinco vertentes com atendimento direcionado à classificação do estado dos pacientes e voltado para uma política intersetorial.  O CAPS I tem foco em usuários de drogas adultos com transtornos mentais graves e persistentes, transtornos decorrentes do uso de álcool e outras drogas. 

O público-alvo do CAPS II são adultos com transtornos mentais persistentes.  O modelo III do centro agrega o maior número de serviços, com a atribuição de trabalhar em substituição aos hospitais psiquiátricos.  Com previsão de cobertura para municípios com população acima de 200 mil habitantes, podem funcionar 24 horas, inclusive feriados e fins de semana. 

Os CAPS AD focam o atendimento a pessoas que consomem álcool de maneira prejudicial e outras drogas (AD), em cidades com mais de 200.000 habitantes, ou aquelas que estejam nas fronteiras, ou, ainda, as que façam rota de tráfico de drogas e possuem relevantes cenários epistemológicos, que precisem deste tipo de serviço para responder de forma eficaz à demanda da saúde mental.

Também existe unidade específica para o público infantojuvenil, o CAPSi. Ele oferece cuidado e proteção à criança e ao adolescente, atendendo em clínica especializada crianças e adolescentes, de 0 a 17anos, com transtorno mental severo, através das modalidades intensiva, semi-intensiva e não intensiva.

Existem hoje em Cuiabá cinco CAPS, que começaram a ser implantados em 2002 após medida do Ministério da Saúde. São um CAPS I, no bairro CPA IV, gerido pela prefeitura; um CAPSi sob tutela do governo estadual; um CAPS AD III Adolescer, também gerido pela prefeitura, com atendimento 24 horas; um CAPS AD II (Estado); e um CPAS II (município).

Conforme Cida Milhomem, membro do Fórum Permanente de Saúde Mental de Cuiabá, o orçamento aproximado é de R$ 108 mil mensais – R$ 102 mil transferidos pela União e R$ 6 mil, pelo governo estadual. Os recursos federais são destinados para as unidades administradas pela prefeitura, que libera contrapartidas para manutenção. O Fórum de Saúde estima que hoje são necessários cerca de R$ 60 mil/mês para cobrir a demanda dos CAPSs. O dobro do orçamento atual.


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