Juara (MT), 06 de dezembro de 2019 - 01:32

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Saúde

27/11/2019 06:44 R7

Respiração pela boca desalinha os dentes. Saiba por quê

Pessoas que respiram pela boca costumam ter problemas que obstruem o nariz, como desvio de septo ou problemas inflamatórios, como rinite.

A respiração bucal é um problema comum em crianças e adultos e que, se não tratada, leva a alterações craniofaciais que podem provocar até mesmo desalinhamento dos dentes.

Um estudo publicado em 2017, feito por médicos da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), identificou que 64% de um grupo de estudantes de 8 a 10 anos respiravam pela boca. Desses, 78,6% tinham má oclusão, que é quando a parte superior da arcada dentária não se encaixa como deveria na parte inferior.

O otorrinolaringologista Cícero Matsuyama, do Hospital CEMA, em São Paulo, explica como ocorre essa alteração ao longo do tempo. 

"Ao respirar pela boca, aumenta a flacidez da musculatura da face; tem o posicionamento da língua, que é diferente quando respira pela boca; a deglutição também é diferente, inclusive o palato, que é o céu da boca, fica mais alto. Como a pessoa utiliza menos a cavidade nasal, o corpo começa a se adaptar e diminuir a cavidade nasal que está sendo menos usada e aumentando a cavidade oral. Como a posição da língua não é adequada, então, o céu da boca fica mais alto e a arcada dentária fica mais estreita para aumentar mais a posição superior da boca."

Mas o que provoca a respiração pela boca? As causas, segundo o médico, podem ser anatômicas, como desvio da pirâmide nasal ou do septo (parte interna) e adenoides, mas também inflamatórias, como sinusites e rinites, que aumentam os tecidos internos do nariz. Quando os quadros inflamatórios persistem por mais de três meses, eles são considerados crônicos.

Os problemas anatômicos são resolvidos com cirurgia, o que tende a colocar um fim definitivo no problema para respirar pelo nariz, afirma Matsuyama. "A cirurgia melhorou muito nos últimos anos. É feita por via endoscópica, com alta no mesmo dia e o prognóstico é muito bom." Muitos casos já normalizam após a cirurgia, mas pode ser necessário fazer uma espécie de reabilitação para normalizar a respiração nasal.

Por outro lado, o tratamento de rinites e sinusites pode necessitar um acompanhamento médico periódico, com períodos alternados entre piora e melhora. Fatores como a qualidade do ar ruim em cidades como São Paulo tendem a agravar esses quadros.

Apneia noturna e problemas cardíacos

Além de ressecar a saliva e dar mau hálito, a respiração oral prolongada pode levar alguns indivíduos a terem apneia noturna, que é quando a respiração é interrompida por alguns segundos durante o sono. O otorrinolaringologista alerta que a "apneia sobrecarrega a parte pulmonar e cardíaca". Essas pessoas estão sujeitas a desenvolver hipertensão, insuficiência cardíaca e arritmias.

A apneia noturna também tem como resultado sonolência diurna excessiva, inquietação, despertar recorrente durante o sono e dor de cabeça ao acordar.

Crianças que respiram pela boca podem ainda ter problema de crescimento. "A criança dorme mal e o hormônio do crescimento é liberado à noite", explica o médico. Ele ressalta que normalmente não é um grande déficit de crescimento, mas são indivíduos que ficam ligeiramente abaixo da média em estatura e porte.

Leia também: Apneia do sono pode aumentar risco de transtornos do humor

Como saber se respiro pela boca?

Além de relatos sobre você roncar com frequência à noite, ou sofrer de rinite ou sinusite, é possível fazer um teste simples. "Feche a boca e veja se o ar que entra pelo nariz é suficiente, se você não fica ofegante", orienta Matsuyama.

Em casos de suspeita de problemas para respirar pelo nariz, é importante consultar o quanto antes um otorrinolaringologista para identificar qual é o melhor tratamento para normalizar o quadro.

É normal roncar todos os dias? Roncar todos os dias nunca é normal. O ronco eventual é normal, por exemplo, em dia que está muito cansado, se tomou álcool antes de dormir, se está resfriado ou gripado. Mas, roncar todos os dias nunca é normal e deve sempre ser investigado. Roncar não é engraçado e não deve ser constrangedor. Roncar é sinal de apneia do sono (distúrbio no qual a respiração para durante o sono), que pode ser grave. Quem ronca deve procurar ajuda médica. Quem tem um parceiro que ronca deve orientar a pessoa a procurar ajuda, independentemente do incômodo para ela mesma, pois quem ronca pode e provavelmente está doente.

Existe ronco "inofensivo" ou sempre vai indicar alguma alteração? Existe o que chamamos de “ronco primário”, ou seja, somente roncar sem doença associada. Mas, essa situação é rara e pode evoluir para apneia do sono. Mesmo o ronco primário é algo que merece atenção, pois independentemente de ser alguma doença, o próprio incômodo gerado é algo importante, segundo o  otorrinolaringologista. Muitas pessoas que roncam são discriminadas em viagens de ônibus ou avião, ao compartilhar o mesmo quarto em viagens ou até mesmo em casa, porque o ronco pode atrapalhar o sono das outras pessoas.

Crianças podem roncar? Sim, muitas crianças roncam e isso é um mau sinal, pois também pode ser indicativo de apneia do sono. Infelizmente, muitos pais acreditam que roncar todos os dias “é uma característica da criança”. Isso é um grande erro e o ronco constante deve ser sempre investigado. A criança que ronca geralmente tem paradas respiratórias, sono agitado, roda muito na cama, baba no travesseiro, fica de boca aberta constantemente, toma muita água e pode inclusive reagir durante o dia com hiperatividade. Existe correlação direta entre ronco constante na criança e mau rendimento escolar.

Excesso de peso causa ronco? O excesso de peso causa ronco e ao mesmo tempo é consequência do ronco. O excesso de peso provoca aumento de gordura na garganta, especialmente na parte detrás, que chamamos de faringe posterior. Também existe deposição de gordura na região detrás da língua. Ambas as situações estreitam a garganta, levando a uma maior possibilidade de obstrução respiratória total ou parcial, gerando ronco e apneia do sono. Por outro lado, a própria doença apneia do sono gera alterações endocrinológicas hormonais durante o sono, sendo que existe um desequilíbrio entre os dois hormônios de fome e saciedade, que são leptina e grelina. Então, a apneia do sono gera o sobrepeso que piora a apneia do sono e, assim, se forma um ciclo ruim para o corpo.

Que doenças respiratórias podem estar associadas ao ronco? Muitas doenças respiratórias podem ser causas ou efeitos do ronco e apneia do sono, como desvios do septo nasal, aumento das conchas nasais, aumento da adenoide, pólipos nasais, sinusite crônica, aumento das amígdalas palatinas, aumento das amígdalas linguais, estreitamento anatômico da faringe posterior, aumento do comprimento e largura da úvula - a campainha da garganta.

O ronco pode afetar a saúde cardíaca? Sim, o ronco e apneia do sono prejudicam imensamente o sistema cardiovascular. Quando a pessoa para de respirar durante o sono por mais de 10 segundos, quando volta existe um esforço inspiratório súbito e intenso, como um efeito de um fole sendo aberto com muita força e rapidez.  Isto faz com que essa pressão negativa do tórax aspire muito rapidamente grande volume de sangue venoso da cabeça e dos membros.  Isso pode dilatar subitamente as cavidades cardíacas, levando a estiramento dos nervos, podendo levar a arritmias e até morte dormindo. Também existe correlação direta entre apneia do sono e hipertensão arterial e arritmias. O estado de estresse que a apneia do sono leva acaba por aumentar a adrenalina do corpo, que fica em níveis sempre altos, levando a diversas complicações, inclusive o AVC.

O ronco atrapalha a qualidade do sono? O ronco e a apneia do sono atrapalham a qualidade do sono em vários aspectos, pois a respiração não é normal e existem inúmeros períodos de queda na oxigenação do sangue e, consequentemente, queda de oxigenação do cérebro. É comum que aconteça uma fragmentação do sono com microdesperares, no qual a pessoa “acorda” várias vezes durante a noite, mesmo sem perceber, sem recobrar a consciência.

O ronco e apneia do sono prejudicam todo o corpo. Aumentam a incidência de ateroesclerose, hipertensão arterial, arritmia cardíaca, doença coronariana, infarto, AVC. Além disso, podem aumentar a resistência periférica à insulina, podendo gerar ou piorar o diabetes. Favorecem a irritabilidade, comprometem a concentração e causam sonolência constante. O ronco e a apneia também aumentam a incidência de Alzheimer precoce, pela má oxigenação crônica do cérebro .

 


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