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26/07/2018 14:22 G1

Elton John se inspira em amigos falecidos para lutar contra a Aids

Para Elton John, a luta contra a Aids é um assunto pessoal e fonte de frustração, diz o astro britânico em entrevista à AFP por ocasião da 22ª Conferência Internacional sobre a Aids em Amsterdã.

Ao anunciar, nesta terça-feira (24), novas iniciativas para tentar reduzir a propagação do vírus HIV, causador da doença, o cantor britânico lembrou dos entes queridos que perdeu entre os 35 milhões de mortos pela epidemia.

Naquela época - lamenta - fez "tão pouco", que hoje tenta compensar.

"Naquela época, eu consumia muitas drogas. Tinha um problema. E sabem que quando a gente usa drogas, não vê com clareza", admite.

Apesar de ter feito "alguns shows" e gravado um álbum ("That's what friends are for") para arrecadar fundos contra a aids, o cantor garante "se sentir muito culpado por não ter feito o suficiente".

Prestes a comemorar seus 28 anos de sobriedade, ele explica: "Queria fazer algo que acreditava que tinha que fazer (...) para recuperar o tempo perdido e isto era fazer algo pelas pessoas afetadas pelo HIV/aids".

Fiel a seu estilo, o astro vestia um traje chamativo: terno lilás e camisa florida com meias de listras laranjas.

"Realmente chateado"

Olhando com firmeza por trás dos óculos redondos de lente rosa, Elton John não hesita em falar com clareza para expressar sua frustração e denunciar a homofobia.

"Estou tão chateado de ser uma pessoa gay que é, sabe, tratada como se fosse menos que os outros por essa gente", diz, em alusão aos países do leste europeu e a Ásia central, onde reina a homofobia e as infecções por HIV aumentaram 30% desde 2010.

Ele reiterou o compromisso de sua fundação contra a Aids para incentivar a prevenção e o tratamento no leste europeu.

Nesta região, muitos soropositivos são empurrados para a clandestinidade, alguns para ocultar sua homossexualidade, outros para se injetar drogas, em países onde é quase impossível encontrar seringas limpas, o que é considerado um dos principais problemas para conter a epidemia.

"A Europa do leste foi descuidada e continua sendo muito homofóbica, a comunidade LGTB tem uma vida muito complicada lá", continua.

Não ao boicote

"Eu mesmo sou um membro da comunidade LGTB; espero, sendo este tipo de pessoa, poder melhorar sua situação ao mostrar um interesse pelo que atravessam, dizendo-lhes que os ouvimos", acrescenta.

Boicotar este tipo de países seria um erro, avalia o artista.

"Penso sinceramente que não é muito produtivo porque é preciso apoiar as pessoas".


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