O governo federal decidiu interromper temporariamente a entrada de amêndoas de cacau provenientes da Costa do Marfim no Brasil. A medida, anunciada nesta terça-feira dia 24 por meio do Diário Oficial da União, foi adotada após análises técnicas apontarem risco fitossanitário nas cargas destinadas ao país.
Segundo o Ministério da Agricultura, a preocupação está relacionada à possibilidade de contaminação por pragas e doenças inexistentes no território brasileiro. O alerta surgiu a partir da constatação de um intenso trânsito de grãos de cacau entre países vizinhos da Costa do Marfim antes da exportação.
De acordo com o governo, há indícios de que amêndoas produzidas em países como Gana, Guiné e Libéria estejam sendo direcionadas à Costa do Marfim e misturadas às cargas exportadas — prática conhecida como triangulação comercial. Parte desses países não possui autorização sanitária para vender cacau ao Brasil, o que eleva o risco de entrada de material contaminado.
Diante desse cenário, o ministério determinou que as áreas responsáveis por relações internacionais e defesa agropecuária apurem possíveis irregularidades e aprofundem a investigação sobre a origem dos grãos enviados ao mercado brasileiro.
A suspensão permanecerá em vigor até que o governo marfinense apresente garantias formais de que o cacau exportado ao Brasil tem origem exclusivamente autorizada e segue padrões sanitários compatíveis com as exigências nacionais.
Embora o Brasil seja um dos principais produtores de cacau, a produção interna ainda não supre totalmente o consumo doméstico. Atualmente, cerca de 80% da demanda é atendida pela produção nacional, enquanto os 20% restantes dependem de importações.
Em 2025, o país produziu aproximadamente 186 mil toneladas de cacau, enquanto as importações somaram pouco mais de 42 mil toneladas. Desse total importado, cerca de 81% teve origem na Costa do Marfim, maior produtor mundial do grão.
A decisão do governo ocorreu após uma missão técnica brasileira visitar a Costa do Marfim no início de fevereiro para revisar o risco fitossanitário. O relatório dessa inspeção deve ser divulgado nos próximos dias, segundo entidades do setor agropecuário.
Produtores nacionais de cacau, especialmente dos estados do Pará e da Bahia, vinham defendendo medidas mais rígidas. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) classificou a suspensão como necessária para proteger a lavoura nacional contra possíveis pragas.
Por outro lado, representantes da indústria processadora demonstraram apreensão. A Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau afirmou confiar na avaliação técnica do governo, mas ressaltou que decisões desse porte precisam se basear exclusivamente em critérios científicos e avaliações de risco bem fundamentadas. A entidade também destacou a importância da parceria comercial com a Costa do Marfim e a necessidade de soluções rápidas para garantir a rastreabilidade do produto.
Até a última atualização desta reportagem, o Ministério da Agricultura não havia detalhado prazos para a reavaliação da medida.





































































