O Santuário de Elefantes Brasil (SEB), localizado em Chapada dos Guimarães, a cerca de 65 quilômetros de Cuiabá, confirmou nesta terça-feira (16) a morte da elefanta africana Kenya, aos 44 anos. O falecimento ocorreu poucos dias após o início de um tratamento intensivo para problemas respiratórios e complicações articulares.
Kenya estava sob cuidados veterinários desde a semana anterior, quando apresentou dificuldades para respirar, dores nas articulações e sinais de extremo cansaço físico. Segundo a equipe do santuário, apesar de algumas reações positivas aos medicamentos nos primeiros dias, o quadro geral evoluiu de forma delicada.
Nos últimos dias de vida, a elefanta vinha recebendo antibióticos, anti-inflamatórios, analgésicos e outros cuidados complementares, como laser terapêutico, além de estar com sessões de acupuntura programadas. A alimentação foi mantida, com frutas misturadas aos medicamentos, e a hidratação reforçada com água, água de coco e bebidas isotônicas.
De acordo com os cuidadores, um dos sinais que chamou atenção foi o fato de Kenya ter conseguido se deitar para descansar na última noite, algo que não vinha conseguindo fazer devido às dores. A equipe relatou que, nesse momento, a respiração aparentava estar mais tranquila, embora ela permanecesse extremamente exausta.
Além das dificuldades respiratórias, Kenya enfrentava um quadro avançado de desgaste nas articulações. Os primeiros sintomas surgiram com estalos discretos em uma das patas dianteiras, que evoluíram rapidamente. Conforme explicou o SEB, esse tipo de problema é comum em elefantes que passaram décadas vivendo sobre superfícies rígidas em cativeiro, o que provoca danos severos nas articulações e osteoartrite — uma das principais causas de morte em elefantes mantidos fora do habitat natural.
Em nota oficial, o santuário destacou o impacto emocional da perda. Kenya foi descrita como um animal de personalidade marcante, curiosa, expressiva e afetuosa, que conquistou a equipe e apoiadores ao longo do tempo. Para os cuidadores, ela representava força e sensibilidade ao mesmo tempo, deixando uma ausência profunda no espaço onde vivia.
Kenya chegou ao Santuário de Elefantes Brasil em julho deste ano, após percorrer mais de dois mil quilômetros. Ela foi a segunda elefanta africana acolhida pelo local, depois de passar grande parte da vida em isolamento. O santuário oferecia a ela um ambiente natural, amplo e livre de exploração, permitindo que vivesse com mais dignidade após anos de cativeiro.
O SEB é uma organização sem fins lucrativos dedicada ao resgate e à reabilitação de elefantes que viveram em condições inadequadas. O espaço conta com o apoio de instituições internacionais especializadas na proteção da espécie, como ElephantVoices e Global Sanctuary for Elephants. O local não é aberto à visitação pública, justamente para preservar o bem-estar dos animais, que vivem soltos e longe da exposição humana.
A morte de Kenya reforça os desafios enfrentados na recuperação de elefantes idosos que passaram grande parte da vida em cativeiro, mesmo quando recebem cuidados especializados e um ambiente mais próximo do natural.





































































