A ocupação indígena no terminal portuário da Cargill em Santarém (Pará) completou um mês neste sábado, marcando uma série de protestos contra o Decreto nº 12.600/2025, que inclui trechos dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins no Programa Nacional de Desestatização. A reportagem da Rádio Tucunaré e site acesse notícias apurou que lideranças de diferentes povos originários mantêm a ocupação no porto desde 22 de janeiro em resistência à medida que consideram uma ameaça às suas formas de vida e ao meio ambiente.
De acordo com os manifestantes, a presença indígena no local cresceu nas últimas semanas, reunindo cerca de dois mil participantes entre comunidades do Baixo, Médio e Alto Tapajós. A ocupação ganhou visibilidade após a entrada dos indígenas na parte interna do terminal nesta manhã, em resposta a uma ordem judicial de desocupação que previa 48 horas para saída voluntária.
Durante as mobilizações, indígenas e aliados bloquearam o acesso terrestre ao porto e realizaram protestos também em São Paulo, em frente ao escritório da empresa na zona sul da capital paulista. Eles criticam o decreto que autoriza a concessão de hidrovias à iniciativa privada, afirmando que isso pode comprometer a qualidade da água, a pesca, a soberania alimentar e a integridade dos territórios tradicionais.
Entre as principais exigências do movimento estão a revogação completa do decreto e a realização de consulta prévia, livre e informada às comunidades afetadas, conforme prevê a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, da qual o Brasil é signatário. Para os indígenas, a luta não é apenas contra uma política pública, mas pela defesa dos rios que consideram essenciais para sua subsistência, identidade cultural e modo de vida.




































































