Juara – Mato Grosso

30 de janeiro de 2026 16:43

Produtores veem melhora no clima, porém enfrentam riscos para safra 2026

A safra brasileira de café 2026/27 vem sendo conduzida sob condições climáticas mais favoráveis em relação aos últimos anos, o que tem contribuído para um bom desenvolvimento das lavouras. Apesar disso, a expectativa é de que a produção não atinja patamares recordes, em razão da irregularidade das chuvas e dos episódios de calor intenso registrados no fim de 2025.

Mesmo com o cenário mais positivo, picos de temperatura acima de 34°C e a distribuição desigual das precipitações seguem como fatores de risco, podendo impactar tanto a produtividade quanto a qualidade dos grãos.

Os últimos meses de 2025 foram marcados por instabilidade climática nas principais regiões produtoras, como Sul de Minas, Cerrado Mineiro, Triângulo Mineiro e Mogiana Paulista. Em diversas localidades, os volumes de chuva em dezembro ficaram abaixo da média histórica, resultando em déficit hídrico.

Em alguns municípios, o armazenamento de água no solo ficou significativamente inferior ao esperado, com registros de insuficiência hídrica que variaram de dezenas a mais de 100 milímetros, o que preocupa produtores quanto ao desenvolvimento pleno das lavouras.

Outro fator que tem dificultado o manejo é a grande variação das chuvas entre regiões e até dentro de um mesmo município. Em áreas próximas, foram observados volumes bastante diferentes de precipitação, o que compromete o planejamento das atividades agrícolas.

A florada do ciclo 2026/27 ocorreu com baixos volumes de chuva e o período pós-florada manteve um padrão irregular. Além disso, as chuvas têm se concentrado em poucos dias, o que reduz a eficiência para a cultura do café, já que o ideal é uma distribuição mais homogênea ao longo do mês. Também foram registrados picos de temperatura fora da média histórica entre o Natal e o Ano Novo.

Apesar desses desafios, as lavouras seguem apresentando bom vigor vegetativo. Por outro lado, o excesso de umidade em determinados períodos tem dificultado operações como roçada e adubação, além de favorecer o surgimento de pragas e doenças. Entre os principais riscos está a broca-do-café, que pode causar perdas relevantes na produção.

Para 2026, a expectativa é de que os problemas relacionados ao tamanho dos grãos não sejam tão severos quanto os observados em 2024. Especialistas avaliam que, caso os picos de calor tivessem ocorrido em períodos mais sensíveis do ciclo, os impactos poderiam ser ainda maiores.

Mesmo diante das incertezas climáticas, a avaliação técnica é de que, com manejo adequado e manutenção de condições relativamente favoráveis, a safra de 2026 pode apresentar desempenho positivo, embora sem alcançar volumes históricos.

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