Trabalhadores do setor petrolífero deram início, nesta segunda-feira (15), a uma greve por tempo indeterminado em diversas unidades da Petrobras no país. Em Paulínia (SP), petroleiros realizaram um protesto em frente à Refinaria de Paulínia (Replan). Até o momento, não foi divulgado o número de funcionários que aderiram à paralisação na unidade.
O movimento foi aprovado após semanas de assembleias realizadas pelos sindicatos da categoria e ocorreu depois da rejeição da segunda contraproposta apresentada pela empresa para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP), a proposta não contemplou pontos considerados essenciais pelos trabalhadores.
Entre as principais reivindicações estão o encerramento dos Planos de Equacionamento de Déficit (PEDs) da Fundação Petrobras de Seguridade Social (Petros), que resultam em descontos adicionais nos salários de empregados da ativa, aposentados e pensionistas. A categoria também cobra avanços no plano de cargos e salários, além de garantias contra mecanismos de ajuste fiscal que possam afetar direitos trabalhistas.
Outro ponto levantado pelos sindicatos é a defesa de um modelo de gestão que priorize o fortalecimento da Petrobras como empresa estatal. De acordo com a FUP, o aumento de parcerias e terceirizações tem provocado precarização das condições de trabalho e pode abrir espaço para processos de privatização.
Em nota, a federação afirmou que a categoria busca respeito, valorização profissional e uma distribuição mais justa da riqueza gerada pela empresa. Ainda segundo a entidade, a greve tem como objetivo a construção de um ACT robusto, capaz de recuperar direitos, assegurar condições dignas de trabalho e solucionar definitivamente os equacionamentos da Petros.
A FUP também criticou a condução das negociações pela atual gestão da Petrobras, presidida por Magda Chambriard. A entidade afirma que a empresa não apresentou propostas suficientes para destravar o acordo e aponta a adoção de medidas unilaterais, como transferências compulsórias e demissões sem justificativa na área de exploração e produção, o que teria prejudicado o diálogo com os sindicatos.
Além disso, os trabalhadores questionam o volume de recursos destinados ao pagamento de dividendos. Segundo o sindicato, nos primeiros nove meses do ano, a Petrobras distribuiu R$ 37,3 bilhões aos acionistas, enquanto o ganho real proposto no ACT foi de apenas 0,5%, além de diferenças no tratamento entre empregados da holding e de subsidiárias.
Procurada, a Petrobras informou que as manifestações não causaram impactos na produção de petróleo e derivados. A empresa afirmou que adotou medidas de contingência para garantir a continuidade das operações e assegurar o abastecimento do mercado.
Em nota oficial, a estatal destacou que respeita o direito de manifestação dos empregados e mantém diálogo permanente com as entidades sindicais. A Petrobras ressaltou ainda que as negociações do Acordo Coletivo de Trabalho estão em andamento desde o fim de agosto e que a última proposta apresentada, no dia 9 de dezembro, contempla avanços em demandas consideradas prioritárias, reforçando o compromisso de concluir o acordo por meio da mesa de negociação.





































































