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Juara – Mato Grosso
Quinta-Feira, 29 de Outubro de 2020

Chuva prejudica safra e faz Brasil importar 80% mais cebolas

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O Brasil aumentou em 79,42% o volume importado de cebolas em 2019. O sistema Agrostat, do Ministério da Agricultura (Mapa), registra a compra de 221,52 mil toneladas no ano passado. Em 2018, foram 117,89 mil.

Analistas de mercado e representantes do setor avaliam que a demanda pelo produto do exterior foi maior por causa da menor produção nas principais regiões do Brasil, que sofreram com problemas climáticos.

Entre outubro e novembro até abril e maio do ano seguinte, o mercado nacional é abastecido, principalmente, pela cebola da região Sul. Desse período até a entrada da nova safra sulista, a produção nacional que chega ao mercado tem origem nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste do país.

“A comercialização no primeiro semestre do ano passado teve oferta menor. A produção na Argentina foi boa e eles venderam ao Brasil para complementar. E, mesmo com a importação, houve alta de preços”, diz a analista do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), Marina Marangon, frisando que em novembro de 2018 o preço médio estava em R$ 1,20/kg, enquanto em abril do ano passado era de R$ 1,70.

(Fonte: Agrostat/Mapa)

Principal fornecedor externo do mercado brasileiro, a Argentina respondeu por 71,16% do volume importado de cebola de outros países no ano passado. Do vizinho sul-americano, vieram 150,52 mil toneladas. No ano anterior, tinham sido 79,84 mil toneladas. Depois dos argentinos, estão os Países Baixos, Espanha e Chile, mostra o Agrostat.

A Tarifa Externa Comum (TEC), que incide sobre produtos importados de países que não integram o Mercosul, é de 10%. No caso da cebola, que integra a lista de exceções, a taxa começou com 25% e foi reduzida para 20% em 2019. Para este ano, é de 15%.

“Mesmo com os 20% de tarifa, entrou uma grande quantidade de cebola por um preço mais alto porque a quebra de safra foi grande. A importação foi maior porque a quebra de safra foi importante em todas as regiões”, explica o presidente da Associação Nacional dos Produtores de Cebola (Anace), Rafael Corsino.

Reação de preços

Neste início de ano, os preços estão mais baixos em comparação com o mesmo período em 2019 por conta, principalmente, da recuperação da safra no Sul. Mas tem havido um movimento de alta. Na primeira semana de fevereiro, a média do Cepea, com base em Ituporanga (SC), foi de R$ 0,93/kg, alta de 28,7% em comparação com a semana anterior.

“O principal impasse nas praças sulistas, das relações entre produtor e mercado, ocorre devido à tentativa do cebolicultor em escoar primeiro os bulbos de qualidade inferior – neste período de baixas cotações – para, depois, enviar os de melhor qualidade, em março – período em que há maior probabilidade de aumento nos preços”, avaliam os pesquisadores, em nota divulgada na sexta-feira (7/2).

Atraso no plantio e na colheita

Rafael Corsino, presidente da Anace, acrescenta outro fator que, na avaliação dele, justifica uma subida dos preços. A colheita no Nordeste, que ocorre nesta época do ano, está atrasada por conta das chuvas, prejudicando o abastecimento da região. Assim, o mercado está praticamente em função da cebola da região Sul, onde a oferta está maior.

O presidente da Anace diz ainda que o plantio em Minas Gerais e Goiás está atrasado, também por causa de chuvas nas regiões produtoras. A situação abre uma janela maior para o escoamento do produto da região sul.

“É uma oportunidade para o sul vender mais rapidamente a safra e deixar a safra do Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste seguir. Caso o sul segure para tentar preços melhores, pode convidar cebolas importadas a vir para o mercado brasileiro. Se aumenta muito o preço interno, pode chamar a atenção dos importadores”, alerta.

Projeções para o mercado

O atraso no plantio em algumas regiões produtoras pode ter efeito sobre o mercado mais para frente. Segundo Corsino, quando for possível, a tendência é todas plantarem ao mesmo tempo. Diante da situação, ele recomenda ao produtor escalonar áreas para evitar o acúmulo de produto na colheita e um pico de oferta.

“É provável que, se o clima for favorável, vai ser um ano de preços muito mais modestos em função do tamanho das áreas, que estão sendo mantidas ou até aumentando um pouco em algumas regiões. Com clima favorável, vamos ter uma safra maior, oferta maior e preços mais modestos que no ano passado”, avalia o presidente da Anace.

Fonte: Revistagloborural

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