Covid-19 gera inflamação que pode causar AVC, diz especialista

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O estado inflamatório que a infecção pelo novo coronavírus provoca no organismo coloca pessoas com problemas cardiovasculares no grupo de risco da covid-19, o que significa que elas estão mais suscetíveis a ter complicações por causa da doença.

Mas não só isso: esse processo, por si só, também aumenta o risco de desenvolver doenças relacionadas ao sistema cardiovascular, o que ajudaria a explicar por que o AVC (Acidente Vascular Cerebral) pode ser a primeira manifestação da covid-19, segundo a neurologista Sheila Martins, presidente da Rede brasil AVC e vice-presidente da Organização Mundial de AVC.

Essa inflamação estimula a formação de pequenos coágulos “que podem levar ao AVC, infarto e tromboses venosas”, afirma.

A especialista destaca que existem casos de pessoas saudáveis que tiveram AVC e, depois, receberam o diagnóstico de covid-19. Esse fato, inclusive, gerou uma mudança no protocolo de atendimento de hospitais de Nova York, por exemplo, onde pacientes que têm sintomas de AVC fazem testes para a covid-19.

“Por esse motivo, a gente queria mudar [o protocolo] aqui no Brasil, mas não conseguimos por vários motivos, inclusive de logística”, explica a médica.

Um estudo realizado na China e publicado na revista científica JAMA Neurology, da Associação Médica Americana, trouxe, pela primeira vez, evidências de que a covid-19 provoca alterações neurológicas, dentre elas o AVC.

Cabe ressaltar, no entanto, que a pesquisa analisou um grupo restrito de 214 pacientes com diagnóstico confirmado e que estavam em hospitais de referência para a doença na cidade de Wuhan, na China, onde se originou a pandemia.

Pessoas deixam de ir ao hospital na pandemia

O medo de contágio pelo novo coronavírus também gerou outro impasse: o número de pessoas que procuram atendimento médico por causa de doenças cardiovasculares diminuiu 50% no país, de acordo com a Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista.

“Nós vemos pacientes chegando 2, 3 dias depois [nos hospitais] porque têm medo de sair, ir para a emergência e se contaminar”, relata Sheila.

A especialista ressalta que não há motivo para ter medo de contágio pelo novo coronavírus, pois a assistência aos pacientes com problemas cardíacos e feita em alas separadas dos que são diagnosticados com covid-19.

Leia também: O que fazer se estiver sozinho na hora de um infarto?

Essa situação é grave porque o tempo é crucial para evitar sequelas e mortes de pacientes que sofreram AVC ou infarto. “Quando entope a circulação, imediatamente aquela região [do corpo] fica sem sangue e, com o passar do tempo, toda a área irrigada por aquele vaso morre”, explica a neurologista.

“Cada minuto que a circulação fica fechada, o órgão está sofrendo e morrendo, no caso do AVC isso acontece com o cérebro”, completa.

O ideal é que um paciente vítima de AVC seja tratado nos primeiros 90 minutos após o início dos sintomas, de acordo com a médica. Já no caso de infarto, as consequências são mais graves depois de 3 horas.

A recomedação para quem tiver sintomas é chamar ajuda imediatamente por meio do 192, número do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).

Fique atento aos sintomas de AVC e infarto
Popularmente chamado de derrame cerebral, o AVC pode matar ou deixar sequelas graves nas vítimas. E pode se manifestar de duas formas: hemorrágica ou isquêmica. o AVC isquêmico é transitório e dura até 24 horas. Por isso, exames tardios podem não identificar o problema, o que não significa que não tenha provocado danos aos pacientes.
O isquêmico é quando uma artéria do cérebro é obstruída por um coágulo, que pode sair do coração, causando uma isquemia cerebral [diminuição ou suspensão da irrigação sanguínea em uma parte do cérebro]. Já o hemorrágico, é quando um vaso se rompe e gera sangramento no cérebro. Isso pode ser provocado por aneurisma cerebral [vaso sanguíneo inchado e cheio de sangue] ou má formação de uma artéria — segundo a neurologista do Hospital Moriah Lorena Barcelos.
É necessário fazer exames mais detalhados, como ressonância e tomografias. No caso do isquêmico, tem que aplicar um medicamento trombolítico em até quatro horas e meia horas para dissolver o coágulo. Se demorar mais de seis horas, não é possível reverter a isquemia — afirma a neurologista.

É importante lembrar que quanto maior o volume de sangue espalhado dentro da cabeça, maior o risco de deixar sequelas.

Os fatores de risco são os mesmos para doenças cardiovasculares: hipertensão, diabetes, sedentarismo, má alimentação, obesidade, tabagismo, e é mais comum de acontecer em pessoas com mais de 55 anos. Ainda segundo a especialista, dependendo da área afetada, o AVC pode provocar desmaio, sonolência e crise convulsiva. Mas também é possível perceber os sintomas mesmo com o paciente consciente.

Fonte: R7

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