A comunidade indígena da Aldeia Kaiabi voltou a cobrar apoio para fortalecer projetos de agricultura familiar, piscicultura, melhoria no fornecimento de energia elétrica e geração de renda por meio da castanha e do artesanato. As reivindicações foram detalhadas em entrevista concedida pelo cacique Dionísio Maraiupi à Rádio Tucunaré.
Durante a conversa, o líder indígena explicou pediu ao executivo municipal, que uma das principais demandas é o fortalecimento do projeto de agricultura familiar já existente na aldeia. Segundo ele, as famílias vêm há anos buscando apoio para ampliar as áreas de plantio e garantir melhores condições de produção.
A reportagem da Radio Tucunaré e site acesse notícias apurou que, em anos anteriores, houve parceria com a Associação Águas Claras para gradeamento das terras, permitindo que cada família cultivasse sua própria roça.
O objetivo agora é expandir o projeto, aumentar a produção e, futuramente, comercializar alimentos no município de Juara. Para o cacique, o fortalecimento da agricultura representa melhoria direta na qualidade de vida das famílias indígenas e maior autonomia econômica.
Outro ponto destacado foi o projeto de piscicultura. Algumas famílias já mantêm criação de peixes, mas há necessidade de ampliação das represas para aumentar a quantidade de alevinos e viabilizar a comercialização. A intenção é transformar a atividade em mais uma fonte estruturada de renda para a comunidade.
Na área de infraestrutura, Dionísio relatou problemas recorrentes com o fornecimento de energia elétrica. Segundo ele, o traçado do linhão não acompanha a estrada principal da aldeia, o que, em períodos chuvosos, provoca quedas frequentes de árvores sobre a rede. Em determinadas situações, a comunidade já chegou a ficar quase uma semana sem energia. A reivindicação é que o projeto seja revisto para reduzir os prejuízos causados pelas interrupções.
A geração de renda na aldeia também passa pela produção de castanha-do-pará e pelo artesanato. O cacique destacou que a castanha é hoje uma das principais fontes de sustento da comunidade. Empresas da região, como a Copa Van, de Juruena, compram o produto, além de atravessadores que atuam na comercialização. Segundo ele, os recursos obtidos são investidos no próprio comércio local, fortalecendo a economia do município.
Durante a entrevista, Dionísio também esclareceu um ponto que há anos circula como boato: a ideia de que a FUNAI paga mensalmente um valor fixo aos indígenas. O cacique foi categórico ao afirmar que isso não procede. Segundo ele, não existe pagamento mensal da Fundação Nacional dos Povos Indígenas aos indígenas, e as famílias precisam trabalhar e produzir para garantir sua própria subsistência.
Em relação a programas sociais, ele confirmou que algumas famílias participam do Bolsa Família, benefício federal regulamentado pela Lei nº 14.601/2023, mas destacou que a maioria vive principalmente do próprio trabalho na roça e da produção local.
A entrevista reforça a busca da comunidade Kaiabi por desenvolvimento sustentável, geração de renda própria e melhores condições estruturais, com foco na autonomia produtiva e no fortalecimento da economia indígena dentro do município.




































































