Em um cenário cada vez mais dominado pela tecnologia e pelos veículos motorizados, encontrar uma charrete circulando pelas ruas da cidade tornou-se um fato raro, e foi nesse contexto que a reportagem da Rádio Tucunaré e Portal Acessenoticias conversou com exclusividade com o senhor, Adilino Monteiro Guimarães de 77 anos, trabalhador que há mais de quatro décadas mantém viva uma atividade tradicional ligada ao transporte e ao trabalho braçal com carro de tração animal (Carroça).
Natural do Paraná, município de Santo Inácio, Adilino chegou à cidade na década de 1980, período marcado por intenso crescimento urbano e grande movimentação econômica. Segundo ele, foi em 1984 que iniciou sua trajetória como charreteiro, atividade que surgiu de forma natural, herdada da vida no campo. “A gente vinha da roça, daquele tempo das carroças com roda de ferro. Depois veio o carrinho com pneu, mais moderno, e hoje estamos aí com a charrete”, relembra.
Durante muitos anos, o serviço de frete com charrete foi fundamental para o funcionamento da cidade. Na época, existia até uma associação de charreteiros, e a demanda era constante. “Não parava. Tinha muito serviço”, afirma. Hoje, porém, a realidade é bem diferente. O avanço da tecnologia, com carretinhas para motos e carros, reduziu drasticamente o espaço para o trabalho manual. “O serviço braçal está acabando. A tecnologia vai chegando e vai empurrando”, lamenta.
Apesar das dificuldades, Adilino destaca o cuidado necessário com o animal, elemento central do trabalho. Segundo ele, com tratamento adequado, alimentação correta e respeito aos limites de peso, o animal consegue trabalhar bem. “Tem que tratar, dar ração, cuidar direitinho e não abusar”, explica.
Mesmo com a redução no número de charreteiros — que já ultrapassou vinte profissionais atuando simultaneamente na cidade —, ele segue ativo, ainda que de forma mais restrita. Atualmente, realiza apenas entregas específicas, recusando fretes mais pesados. “Entrego o meu e vou embora. No ponto ainda tem um ou outro, mas está acabando”, observa.
Para Adilino, o trabalho deixou de ser apenas uma fonte de renda e se transformou em uma paixão construída ao longo do tempo. “Você trabalha todo dia, mexe com aquilo, se acostuma. Vira paixão”, afirma. Questionado sobre até quando pretende continuar, responde com simplicidade: “Até quando eu aguentar, eu vou levando a vida”.
A história de Adilino Monteiro revela não apenas a trajetória de um trabalhador, mas também o retrato de uma atividade tradicional que resiste, mesmo diante das transformações econômicas e tecnológicas. Um testemunho vivo de um tempo em que o ritmo da cidade era ditado pelo som das rodas e pelo passo dos anima





































































