Juara – Mato Grosso

26 de março de 2026 20:15

Assinado no fim do mandato: ex-prefeito quebra o silêncio e explica contrato do lixo em Juara

A situação envolvendo o contrato de coleta e destinação de lixo em Juara continua gerando debates e questionamentos. Diante das discussões recentes, o ex-prefeito Carlos Amadeu Sirena decidiu se manifestar publicamente para apresentar sua versão dos fatos, detalhando o processo que levou à assinatura do contrato no final de sua gestão. A seguir, confira na íntegra a carta aberta divulgada pelo ex-gestor.

Carta aberta à população de Juara, por Carlos Amadeu Sirena:

CARTA ABERTA A POPULAÇÃO DE JUARA

Por Carlos Sirena

Juara MT, 26 de Março de 2026

Lixo, por quê dia 30 de dezembro de 2024?

Vamos ser francos, um contrato desses não se faz da noite para o dia, seria muita irresponsabilidade.

Essa data é só mais uma de um longo trabalho da gestão municipal, e não é a última.

Tudo começa mais de dois anos e meio antes desta data, isso mesmo, dois anos e meio antes.

Então lá em 2023, essa parte da história do lixo de Juara começa, quando o Tribunal de Contas, disse que Juara precisava profissionalizar a coleta de lixo para ter licenciamento ambiental e parar a contaminação lá no lixão.

Resumindo, tinha que coletar melhor e não podia mais jogar daquele jeito no lixão, precisava levar os 660 mil quilos de lixo que Juara produz por mês, isso dá mais ou menos 66 caminhões cheios de lixo todo mês, num lugar que é conhecido como Aterro Sanitário, ele é feito do jeito certo para proteger o meio ambiente e conseguir receber o lixo, se não arrumasse isso, ia começar a ter multa e não ia mais poder coletar o lixo na casa das pessoas, o que seria sim uma irresponsabilidade com cada um de vocês.

Então, voltando a história, em 2023 a prefeitura com auxílio de uma equipe de estudos para parcerias público-privadas, começam a achar caminhos para resolver esse problema, mas não para resolver por pouco tempo, nada de gambiarra, precisava ser algo que resolvesse para mais de 20 anos, pensando que quando a cidade cresce, o serviço precisa crescer, quando a lei ambiental pede mais, já tem que estar pronto para fazer, algo que fosse exemplo para outras cidades.

E assim foi feito, um projeto que diz que tem que coletar direito, não pode ficar lixo na frente da casa para cachorro rasgar, ou deixar nossa cidade fedendo, um projeto que diz que tem que levar num lugar que não suje as nossas águas, um projeto que diz que lá na frente quando a gente quiser coletar de um jeito que dê para reciclar mais, também tem como, nossa tem muita coisa que pode ser feito, ou não, quem decide isso é cada prefeito que estiver lá na prefeitura.

Esse projeto demorou para ser feito, com muita gente ajudando, melhorando ele, inclusive com audiência pública, onde a população, vereadores, prefeito e vice-prefeito puderam conhecer o projeto e pedir mudanças.

E ai, só depois disso que se abriu uma licitação, para que qualquer empresa do Brasil que quisesse atender esse projeto, poderia, era só participar.

Todos esses trâmites  passaram por equipes técnicas para fazer o processo dentro do que manda a regra.

Ai depois da empresa ganhar a licitação, ou seja, ser a que ofereceu atender o trabalho de forma que pudessemos ajustar o serviço de acordo com o que a cidade poderia ou queria fazer, e pelo menor preço, é que pode-se fazer um contrato.

Você que me acompanhou até aqui, viu que não é da noite para o dia, não é de qualquer jeito.

Depois  de trabalhar por mais de dois anos e meio nisso, que o contrato foi assinado, no dia 30 de dezembro. 

Mas isso obrigava o próximo prefeito a fezer desse jeito?

A resposta é não, ele podia não assinar a ordem de serviço, podia arrumar uma outra solução que julgasse melhor, desde que atendesse a lei.

Nada disso foi feito para prejudicar alguém ou obrigar alguém a fazer o que não queria, foi feito no espírito da continuidade, e de ajudar o futuro de Juara, foram 2 anos e meio de trabalho até ali, que quem assumisse a cadeira ainda poderia fazer diferente, sem stress, sem brigas.

E tinha como pagar?

Da forma como eu administrava, tinha condições sim.

Precisa taxa de lixo?

Bom, da forma que eu administrava e foi feito o projeto, não precisaria taxa de lixo.

E para finalizar, porque demorei tanto para falar sobre isso?

Eu não sou mais o prefeito, não decido sobre isso, quem está na cadeira de prefeito precisa tomar decisões a toda hora, sem terceirizá-las, e com postura, bem eu tomei muitas decisões, e a história vai contar as que acertei, e as que errei, mas o que vejo hoje, agora, é que depois de um ano e três meses, ainda não conseguiram avançar nesta questão, ao contrário, voltamos no tempo, e o que me deixa mais triste, é dizer que a culpa é minha, ora, eu não sou mais o prefeito, e se fosse eu sei que dava para fazer e tenho certeza que iria escolher o melhor para  nossa querida Juara.

Uma última coisa para pensar, você acredita que depois de mais de sete anos à frente da gestão municipal, com contas aprovadas, lutando para cuidar da melhor forma do nosso município, eu jogaria no lixo todo esse trabalho no dia 30 de dezembro de 2024?

Agradeço a cada cidadão que leu esta carta e pode entender melhor um pouco dessa história, que Deus continue abençoando a todos para um futuro melhor na nossa vida e de nossas famílias.

Carlos Amadeu Sirena

Fonte: por Carlos Sirena

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