Na manhã do dia 25, a reportagem da Rádio Tucunaré entrevistou o médico da A.E.R. de Juara, Dr. Haroldo Hatanaka, que fez um alerta direto à população: a tuberculose continua sendo uma doença grave, presente e ainda pouco levada a sério no Brasil e na região.
Durante a entrevista, o especialista explicou que a tuberculose é considerada uma doença negligenciada, ou seja, muitas vezes ignorada, apesar de sua gravidade. Segundo ele, a enfermidade atinge principalmente pessoas em idade produtiva, entre 20 e 35 anos, o que gera impactos sociais e econômicos importantes.
O médico destacou que a doença pode permanecer “escondida” no organismo por anos, sendo reativada quando a imunidade da pessoa cai. “A pessoa pode ter contato hoje e desenvolver a doença só daqui a 10 anos”, explicou.
A transmissão ocorre principalmente pelo ar, através da fala, tosse, espirro ou até mesmo pelo riso de uma pessoa contaminada. Nos casos mais avançados, a eliminação de bactérias no ambiente é ainda maior, aumentando o risco de contágio entre familiares e pessoas próximas.
Entre os principais sintomas estão tosse persistente, febre leve, cansaço, perda de peso e desânimo, sinais que devem acender um alerta imediato para busca de atendimento médico.
O tratamento, segundo o Dr. Haroldo, é gratuito pelo SUS e dura cerca de seis meses. Ele envolve uma combinação de antibióticos e exige acompanhamento rigoroso para garantir a cura completa.
Em relação à realidade local, o médico chamou atenção para a subnotificação de casos em Juara, explicando que a ausência de busca ativa dificulta o diagnóstico precoce. Apenas neste ano, foram coletadas 30 amostras pelo SUS, sendo 9 em fevereiro e 5 em março, números que podem não refletir a real situação da doença no município.
Outro ponto preocupante destacado é a ligação direta entre a tuberculose e fatores sociais. A doença é mais comum em ambientes com moradia precária, alimentação inadequada e aglomeração, onde pessoas dividem quartos e até colchões.
No cenário nacional, os dados também acendem um alerta: mais de 84 mil novos casos foram registrados recentemente, com cerca de 6 mil mortes. Uma parcela significativa dos pacientes também convive com o HIV, especialmente aqueles sem acompanhamento médico adequado.
O especialista ainda ressaltou que a pandemia de Covid-19 agravou o problema, ao dificultar o acesso aos serviços de saúde e atrasar diagnósticos, o que pode ter contribuído para o aumento da transmissão.
Para ele, o combate à tuberculose depende não apenas do tratamento, mas também de melhoria nas condições de vida, informação e atuação mais ativa dos serviços de saúde.
A reportagem da Rádio Tucunaré e site Acesse Notícias apurou que, apesar de ser uma doença antiga, a tuberculose continua sendo um desafio atual, exigindo atenção redobrada da população e das autoridades.





































































