Juara – Mato Grosso

26 de março de 2026 20:04

Lixo sem destino que está travando Juara. Entenda-o “nó jurídico” que deixou Juara sem saída imediata para o lixo

A situação da coleta e destinação do lixo em Juara se transformou em um dos temas mais sensíveis da atual gestão municipal. O que começou como uma tentativa de revisão de um contrato considerado oneroso evoluiu para um cenário complexo, envolvendo embate político, decisões judiciais e risco à continuidade dos serviços essenciais. A reportagem da Rádio Tucunaré e site Acesse Notícias apurou os bastidores e reuniu informações para explicar, de forma clara, o que está acontecendo.

Desde o início da gestão atual, a prefeitura passou a questionar o contrato vigente de coleta e destinação do lixo, alegando que os custos são elevados para os cofres públicos. Esse posicionamento encontrou apoio de vereadores, que passaram a atuar para que o contrato fosse anulado ou revisto, abrindo caminho para uma alternativa mais econômica.

No entanto, a situação ganhou um novo rumo quando o Ministério Público foi acionado, resultando em decisões liminares que suspenderam o contrato em vigor. Esse ponto é fundamental para entender o impasse: o contrato não foi cancelado, apenas suspenso pela Justiça.

É justamente essa condição que trava as ações do município. De acordo com informações apuradas, existem hoje dois processos correndo paralelamente, o que gera insegurança jurídica. Na prática, isso significa que a prefeitura enfrenta uma limitação grave: não pode licitar novamente o mesmo serviço enquanto o contrato suspenso ainda estiver juridicamente vigente.

Esse cenário cria o que técnicos classificam como um verdadeiro “nó jurídico”. Mesmo com a necessidade urgente de garantir a continuidade da coleta de lixo — um serviço essencial de saúde pública —, a administração municipal encontra dificuldades para avançar com novas contratações.

Enquanto isso, a situação se agravou ainda mais no último dia 20, quando a empresa responsável pelos serviços comunicou a paralisação das atividades, alegando falta de pagamento por cerca de quatro meses e também insegurança jurídica diante das decisões judiciais.

Diante desse quadro, o município precisou adotar uma medida emergencial:
o lixo está sendo coletado e direcionado temporariamente para o aterro antigo, como forma de evitar um colapso sanitário.

Ao mesmo tempo, a prefeitura tenta buscar alternativas legais. Um assessor jurídico foi contratado e entrou com um pedido junto ao Tribunal de Justiça para suspender os efeitos da decisão que impede novas licitações, na tentativa de destravar o processo.

Outro ponto importante é que, mesmo com as limitações, há uma tentativa de avanço administrativo. Um novo modelo de licitação está sendo estruturado, com abrangência maior, permitindo que empresas de outras regiões, como Sorriso e Sinop, possam participar, em relação somente ao aterro sanitário.

Essa mudança tem como base um fator econômico relevante:
o custo atual da destinação do lixo em Juara chega a valores entre R$ 240 e R$ 270 por tonelada, enquanto em cidades próximas, como Sorriso, o valor gira em torno de R$ 110 por tonelada.

Ou seja, segundo cálculos preliminares, pode ser mais barato transportar o lixo para outra cidade do que manter o modelo atual, o que reforça o argumento da gestão sobre o alto custo do contrato vigente.

Apesar disso, nada ainda está definido. O cenário segue aberto e pode mudar rapidamente, inclusive com possibilidade de reversão judicial.

A situação da coleta e destinação do lixo em Juara permanece indefinida e cercada de incertezas. Apesar das tentativas da administração municipal de reorganizar o serviço, o desfecho depende diretamente de decisões judiciais que ainda estão em andamento, o que impede qualquer definição concreta no momento.

Um dos pontos que mais preocupa é a possibilidade de uma reviravolta na Justiça. A empresa responsável pelo serviço, que já comunicou a paralisação, possui assessoria jurídica ativa e pode recorrer para tentar reverter a suspensão do contrato. Caso isso aconteça, existe a possibilidade de retomada das atividades nos moldes anteriores, o que mudaria novamente todo o cenário.

Por outro lado, a prefeitura segue tentando avançar com alternativas legais. O pedido feito ao Tribunal de Justiça busca justamente liberar o município para realizar nova licitação, especialmente no que diz respeito à destinação final do lixo. Caso essa autorização seja concedida, a administração poderá avançar com um novo modelo, possivelmente mais econômico e com participação de empresas de outras regiões.

Mesmo assim, o processo enfrenta obstáculos. Já houve, inclusive, tentativas de impugnação por parte da empresa atual, o que demonstra que o embate jurídico ainda está longe de terminar. Isso reforça o cenário descrito por técnicos da própria administração: há vários caminhos possíveis, e todos ainda em aberto.

Enquanto isso, a população depende de soluções emergenciais para que o serviço essencial continue funcionando. A coleta segue sendo realizada, mas a destinação provisória no aterro antigo levanta preocupação quanto à sustentabilidade dessa medida a longo prazo.

O ponto central de toda essa situação é claro: o município precisa garantir a continuidade da coleta de lixo e destinação correta, por se tratar de uma questão de saúde pública, mas enfrenta limitações legais que travam decisões mais rápidas.

Neste momento, Juara vive um verdadeiro equilíbrio delicado entre três fatores:

  • a necessidade urgente de manter o serviço funcionando
  • a busca por redução de custos aos cofres públicos
  • e a dependência de decisões judiciais que podem alterar completamente os rumos do processo

A reportagem da Rádio Tucunaré e site Acesse Notícias apurou que, internamente, o entendimento é de que os próximos dias serão decisivos. O resultado do pedido no Tribunal de Justiça poderá abrir caminho para novas licitações ou manter o município no atual cenário de restrições.

Até lá, o que se vê é um quadro de transição, marcado por incertezas e pela expectativa de uma definição que permita ao município encontrar uma solução definitiva para a coleta e destinação do lixo.

No fim das contas, o problema não é apenas administrativo ou jurídico — é uma questão que impacta diretamente o dia a dia da população e exige solução rápida, segura e sustentável.

Fonte: Rádio Tucunaré e Acesse Notícias

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