O município de Juara enfrenta um dos momentos mais críticos da sua história recente na gestão de resíduos sólidos. Sem poder contratar, sem poder licitar e sem uma orientação clara sobre o que fazer, a cidade se vê diante de um problema grave: o lixo continua sendo produzido todos os dias, mas não há destino legal definido.
A reportagem da Rádio Tucunaré e site Acesse Notícias apurou que, no dia 26 de março de 2026, a Justiça determinou a suspensão do Pregão Eletrônico nº 004/2026, que tinha como objetivo contratar uma empresa para a destinação final dos resíduos sólidos. Na mesma decisão, o município foi proibido de realizar qualquer novo contrato ou procedimento com o mesmo objeto até nova deliberação judicial.
No mesmo dia, 26 de março de 2026, também foi expedido mandado de intimação, determinando que o município cumpra imediatamente a decisão judicial, sob pena de multa diária em caso de descumprimento.
O processo teve início a partir de um Mandado de Segurança impetrado pela empresa que detinha o contrato anterior, contestando a rescisão feita pela atual gestão. Com isso, a Justiça decidiu manter a discussão aberta e, ao mesmo tempo, bloquear qualquer tentativa de substituição imediata do serviço, criando um cenário de total paralisação administrativa.
O resultado é um impasse perigoso e sem precedentes.
De um lado, o contrato anterior está sob questionamento.
De outro, a Prefeitura está impedida de contratar uma nova empresa.
E no meio disso tudo, está a população — que continua produzindo lixo diariamente.
A situação gerou indignação dentro da própria administração pública. Em um desabafo que circula entre servidores, o sentimento é de perplexidade diante da falta de solução prática:
“Não podemos contratar empresa para levar o lixo, não podemos fazer licitação e também não podemos descartar de forma irregular. Vamos fazer o quê com o lixo? Jogar no espaço?”
O cenário evidencia uma sequência de decisões judiciais e intervenções institucionais que, embora fundamentadas na legalidade, acabaram criando um bloqueio total nas ações do município. A gestão se vê impossibilitada de agir, enquanto o problema cresce a cada dia.
O risco agora vai além do jurídico: é sanitário e ambiental.
Sem destinação adequada, o lixo pode acabar sendo descartado de forma irregular, a céu aberto, trazendo impactos diretos à saúde pública e ao meio ambiente.
Juara vive hoje um verdadeiro “nó jurídico”, onde decisões impedem soluções, mas não apresentam um caminho viável. Enquanto isso, a pergunta que ecoa entre servidores e população continua sem resposta:
Onde colocar o lixo?





































































