Ao longo da entrevista concedida no dia 06 de fevereiro à Rádio Tucunaré 89,3 FM, no quadro Repórter Tucunaré, o contador Cleber Prado chamou atenção para práticas comuns no dia a dia das empresas que podem se tornar grandes armadilhas fiscais com a consolidação da Reforma Tributária.
Entre os pontos destacados, Cleber alertou para o risco de pagamentos feitos fora do CNPJ, situação frequente quando o serviço é prestado por uma empresa, mas o valor acaba sendo depositado diretamente na conta pessoal do empresário. Segundo ele, esse tipo de movimentação cria inconsistência entre a nota fiscal emitida e a entrada financeira registrada, o que pode gerar questionamentos automáticos por parte da fiscalização.
A reportagem da Radio Tucunaré e site acesse notícias apurou que, nesses casos, a Receita pode interpretar o valor recebido como pró-labore disfarçado ou rendimento não declarado, resultando em cobrança adicional de impostos, multas e juros. Com o cruzamento eletrônico de dados, esse tipo de irregularidade passou a ser facilmente identificado.
Outro tema abordado foi o uso intensivo de maquininhas de cartão e meios eletrônicos de pagamento. Cleber explicou que a Reforma Tributária prevê um modelo em que o recolhimento de impostos pode ocorrer de forma quase imediata, no momento da transação. Isso significa que o empresário pode passar a receber apenas o valor líquido da venda, com os tributos já descontados automaticamente.
Esse mecanismo, embora aumente o controle fiscal, pode causar impacto direto no fluxo de caixa das empresas, especialmente aquelas que trabalham com margens reduzidas ou dependem de prazos mais longos para honrar compromissos. Negócios que hoje utilizam o prazo entre a venda e o pagamento do imposto para organizar suas finanças precisarão se adaptar a uma nova realidade.
Durante a entrevista, o contador destacou que muitos empresários ainda não perceberam que essa mudança pode exigir reajuste de preços, revisão de prazos e reorganização financeira. Sem esse cuidado, empresas podem enfrentar falta de liquidez, mesmo mantendo um bom volume de vendas.
Cleber Prado reforçou que práticas informais que antes eram toleradas passaram a representar alto risco. Misturar contas pessoais com contas da empresa, receber valores “por fora” ou tentar driblar o sistema pode resultar em autuações rápidas, já que bancos, operadoras de cartão e o fisco compartilham informações de forma integrada.
A orientação é que empresários de todos os portes passem a tratar o controle financeiro como parte essencial do negócio. Registrar corretamente as operações, receber pagamentos no CNPJ correto e entender como funcionará o novo modelo de recolhimento são medidas fundamentais para evitar surpresas desagradáveis nos próximos anos.
Especialistas alertam que a Reforma Tributária não atinge apenas a carga de impostos, mas muda profundamente a forma como o dinheiro circula dentro das empresas. Quem não se adaptar a esse novo modelo poderá enfrentar dificuldades para manter a atividade.





































































