Juara – Mato Grosso

2 de fevereiro de 2026 18:12

Reunião da APRI com a Energisa escancara problemas históricos no fornecimento de energia em Itapaiúna/Juara.

Uma reunião on-line com produtores rurais, a diretoria da APRI – Associação dos Produtores de Itapaiunas de Juara – e representantes da Energisa foi realizada a partir das 14h desta semana para discutir os recorrentes problemas no fornecimento de energia elétrica na região.

O depto de jornalismo da Rádio Tucunaré foi convidada a participar do encontro, que contou com a presença da diretora da emissora, Valéria Domingues, acompanhando os debates e os encaminhamentos apresentados.

No encontro, produtores relataram que a região de Itapaiúnas enfrenta há anos uma situação considerada crítica e crônica em relação à energia elétrica, com quedas frequentes e interrupções prolongadas que chegam a durar quatro ou cinco dias, especialmente no período chuvoso. Segundo os relatos, os problemas afetam diretamente a rotina produtiva, provocando prejuízos financeiros, queima de equipamentos, perda de leite, carnes e paralisação de atividades agrícolas.

Um dos principais pontos levantados foi a extensão da rede elétrica que atende a região, considerada excessivamente longa e dependente de alimentadores que partem de municípios distantes, como Nova Monte Verde. De acordo com os produtores, a ausência de subestações intermediárias faz com que qualquer falha em um ponto derrube o fornecimento para vários produtores ao mesmo tempo, dificultando o restabelecimento rápido da energia.

Outro problema recorrente apontado diz respeito ao traçado da rede, que em diversos trechos passa por áreas de mata fechada, sem acesso por estrada. Conforme relatado na reunião, essa configuração foi adotada em projetos antigos para reduzir distâncias, mas hoje compromete a manutenção, já que árvores caem sobre a rede e as equipes encontram dificuldade para chegar aos pontos de defeito, prolongando o tempo de atendimento.

A limpeza da faixa de servidão também foi alvo de críticas. Os produtores lembraram que o serviço foi realizado em 2024 por empresa terceirizada, após intervenção do Ministério Público, mas consideraram a execução falha e insuficiente. Em vários pontos, a vegetação voltou a crescer rapidamente, e árvores de grande porte continuam oferecendo risco à rede. Também foi questionada a fiscalização do serviço antes do pagamento à empresa responsável.

Durante a reunião, foram destacados os impactos sociais da instabilidade no fornecimento de energia. Além dos prejuízos econômicos, produtores relataram dificuldades para manter funcionários nas propriedades, interrupção de aulas em escolas rurais e insegurança para investimentos em estruturas como armazéns, secadores e sistemas de irrigação.

Os participantes defenderam a adoção de manutenção preventiva contínua, com limpeza anual da rede, semelhante ao que já ocorre em outras regiões do município. Segundo os produtores, em Itapaiúna as ações só acontecem após pressão institucional, o que gera sensação de abandono e insegurança permanente.

Como encaminhamento, foi proposta a realização de uma vistoria técnica completa, envolvendo equipes da Energisa e representantes dos produtores, para mapear os pontos críticos da rede e construir um plano de ação com cronograma definido. Também foi debatida a possibilidade de interligação entre redes existentes, o que poderia reduzir os impactos quando ocorrem falhas em um dos alimentadores.

Outro tema discutido foi a limitação para expansão da rede trifásica na região, considerada essencial para o crescimento da produção agrícola. Representantes da Energisa explicaram que, atualmente, o problema não é de carga ou subestação, mas de estrutura da rede e das exigências regulatórias da Agência Nacional de Energia Elétrica, que condicionam investimentos à demanda formal comprovada.

A reunião também expôs o impasse entre responsabilidades da Energisa e do poder público municipal, especialmente em relação à abertura e manutenção de estradas vicinais que acompanhem o traçado da rede. Segundo os relatos, projetos chegaram a ser aprovados, mas não foram executados, mantendo trechos críticos sem acesso adequado para manutenção.

No campo jurídico, foi lembrado que já houve ações coletivas contra a concessionária em Juara, com condenações por danos morais. No entanto, os produtores enfatizaram que o objetivo principal não é a judicialização, mas a solução definitiva dos problemas para garantir segurança e continuidade no fornecimento de energia.

A comunicação também foi apontada como um ponto sensível. Produtores relataram dificuldade em obter informações claras sobre prazos de restabelecimento da energia, o que impede decisões rápidas para evitar prejuízos. A Rádio Tucunaré colocou-se como canal de apoio para ampliar o diálogo entre a concessionária e a população rural, proposta que foi acolhida pelos representantes da Energisa.

Ao final, a concessionária assumiu compromissos de iniciar inspeções técnicas nas unidades consumidoras, reforçar a limpeza da faixa de servidão, melhorar a comunicação com os usuários e elaborar um plano de ação para a região. A reportagem da Rádio Tucunaré e site Acesse Notícias apurou que novas reuniões devem ocorrer para acompanhar a execução das medidas anunciadas.

Fonte: Rádio Tucunaré e Acesse Notícias

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