Importação de carne bovina da China deve voltar ao normal só no 2º semestre

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Em meio ao avanço do coronavírus, a China deve reduzir as importações de carne bovina no primeiro semestre, podendo retomar a demanda nos últimos seis meses do ano. A avaliação foi divulgada nesta quinta-feira (27/2) pelo banco holandês Rabobank, segundo o qual a recuperação no segundo semestre ajudará a manter a tendência positiva, mas em ritmo mais lento do que o visto em 2019.

De acordo com os especialistas, um dos fatores que indicam redução das compras externas no curto prazo são os estoques locais. Com o cancelamento dos festejos do Ano Novo Lunar, por conta do coronavírus, essas reservas não foram utilizadas. Além disso, restaurantes e serviços de alimentação deverão sofrer o impacto da menor atividade ou até mesmo permanecer fechados em algumas regiões.

“Há incerteza sobre se o coronavírus poderá ser controlado ainda no primeiro trimestre. É possível que alguns negócios, como serviços de alimentação e turismo, permaneçam interrompidos ao longo de abril ou maio, mesmo se o vírus for colocado sob controle”, avalia o Rabobank, destacando também que importadores tiveram problemas de fluxo de caixa com o produto que ficou parado nos portos.

Os analistas do banco holandês observam ainda que o consumo de carne bovina pelos chineses foi fortemente afetado pela expansão do coronavírus associada às medidas adotadas pelo governo, como interrupção de transportes e fechamento de locais públicos, como restaurantes. A interrupção de serviços de alimentação, por exemplo, deve levar a um forte declínio nas vendas do produto.

“O consumo de carne bovina na China, em conjunto com o de cordeiro e frutos do mar, é geralmente associado à alimentação fora de casa, especialmente em restaurantes”, ressalta o relatório.

Peste suína africana

Além do coronavírus, a China vinha enfrentando uma epidemia de peste suína africana, que causou uma forte redução nos plantéis, mudando o quadro de oferta e demanda de proteína animal no país.

No caso da carne bovina, de acordo com o Rabobank, em janeiro de 2020, antes do Ano Novo Lunar, os preços no varejo chinês estavam 20% maiores que no mesmo período no ano passado. E continuaram a subir até pelo menos a primeira semana de fevereiro. Em 2019, as importações foram 60% maiores que um ano antes, informou o banco.

“Com a assinatura da fase 1 do acordo China-Estados Unidos, é esperada maior importação de carne bovina americana. Contudo, o súbito impacto do coronavírus causa incerteza de curto prazo, já que a carne bovina americana é posicionada para mercado de ponta, que encolhe com a economia em desaceleração”, diz o Rabobank.

Expectativa para o Brasil

Em relação ao Brasil, os analistas do Rabobank avaliam que o momento é de reequilibrar o quadro de oferta e demanda de carne bovina, depois de um 2019 com recorde de exportações e preços. A valorização registrada no final do ano passado levou a uma retração do consumo doméstico, cenário mantido em janeiro, quando normalmente é menor.

Do lado da oferta, o período chuvoso favorece o desenvolvimento das pastagens, reduzindo os custos de produção para o pecuarista e limitando a disponibilidade de animais para os abatedouros. Na outra ponta, olhando para o consumo interno mais fraco e a retração da demanda chinesa, os frigoríficos tendem a não oferecer preços mais altos pelos animais.

Com isso, destaca o relatório do banco holandês, os preços da arroba do boi gordo caíram 9,8% em janeiro deste ano na comparação com dezembro de 2019. Ainda assim, a cotação ficou 27% maior que em janeiro de 2019. (veja gráfico abaixo)

“A demanda doméstica deve ganhar força nos próximos meses. Ao mesmo tempo, é esperado que a demanda chinesa retorne. A oferta de gado, por outro lado, tende a aumentar à medida que chegarem os meses mais secos”, analisa o Rabobank no relatório, que não menciona a liberação da carne bovina in natura do Brasil pelos Estados Unidos, anunciada na semana passada pela ministra Tereza Cristina.

Fonte: Revista Globo Rural

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