Juara – Mato Grosso

13 de janeiro de 2026 15:21

Acordo de paz ganha força após Ucrânia aceitar discutir alternativas à entrada na Otan

imagem gerada por ia

Em meio a novas tentativas diplomáticas para encerrar o conflito com a Rússia, a Ucrânia indicou que está disposta a deixar em segundo plano sua intenção de ingressar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). A sinalização foi feita pelo presidente Volodymyr Zelensky como parte de um possível entendimento que envolveria garantias de segurança oferecidas por países do Ocidente.

A declaração ocorreu às vésperas de encontros que Zelensky deve manter em Berlim com representantes dos Estados Unidos e líderes europeus. Segundo o presidente ucraniano, a substituição da adesão formal à Otan por acordos de segurança juridicamente vinculantes com aliados pode ser um caminho para evitar novas ofensivas russas.

Zelensky destacou que, desde o início da guerra, a entrada na Otan sempre foi vista por Kiev como a forma mais eficaz de proteção. No entanto, reconheceu que nem todos os parceiros ocidentais apoiaram essa estratégia. Diante disso, garantias bilaterais com os Estados Unidos — inspiradas no princípio de defesa mútua previsto no Artigo 5º da aliança — além de compromissos semelhantes de países europeus, Canadá e Japão, passaram a ser consideradas alternativas viáveis.

Apesar da mudança de postura, o governo ucraniano mantém uma posição firme quanto à integridade territorial do país. Zelensky reforçou que não há qualquer disposição para ceder áreas ocupadas, mesmo diante das exigências de Moscou.

O Kremlin tem reiterado que qualquer acordo de paz passa pela renúncia oficial da Ucrânia à Otan, pela retirada de tropas ucranianas de partes da região de Donbas ainda sob controle de Kiev e pela adoção de um status de neutralidade permanente. A Rússia também rejeita a presença de forças da aliança militar ocidental em território ucraniano.

Autoridades russas afirmam ainda que o presidente Vladimir Putin busca garantias formais, por escrito, das principais potências ocidentais de que a Otan não continuará sua expansão em direção ao leste europeu, o que incluiria não apenas a Ucrânia, mas também outros países da antiga União Soviética.

Zelensky tem defendido um acordo que assegure uma paz duradoura e impeça novos ataques russos. Segundo ele, Ucrânia, Estados Unidos e países europeus analisam um plano composto por cerca de 20 pontos, cujo desfecho seria um cessar-fogo. O presidente ucraniano afirmou que Kiev não mantém negociações diretas com Moscou neste momento.

Sob pressão do presidente norte-americano Donald Trump para avançar em um acordo, Zelensky acusou a Rússia de prolongar o conflito por meio de ataques constantes a cidades e a infraestruturas essenciais, como redes de energia, aquecimento e abastecimento de água.

Fontes dos Estados Unidos confirmaram que Steve Witkoff, enviado especial de Trump, e Jared Kushner participam das conversas na Alemanha. A presença dos representantes americanos é vista como um sinal de que Washington acredita na possibilidade de avanços diplomáticos, quase quatro anos após o início da invasão russa em 2022.

Líderes do Reino Unido, França e Alemanha avaliam que este é um período decisivo para o futuro da Ucrânia. Os três países têm trabalhado para ajustar propostas norte-americanas que, em versões anteriores, previam concessões territoriais, restrições militares e o abandono definitivo da candidatura ucraniana à Otan.

Paralelamente, aliados europeus discutem o uso de ativos russos congelados para financiar tanto o orçamento militar quanto despesas civis da Ucrânia.

Enquanto isso, Zelensky relatou que centenas de milhares de pessoas seguem sem acesso à energia elétrica após novos bombardeios russos, divulgando imagens de destruição em várias regiões do país. “A Rússia continua causando sofrimento deliberadamente à nossa população”, afirmou.

A guerra, considerada a mais letal da Europa desde a Segunda Guerra Mundial, segue elevando tensões entre Moscou e o Ocidente. Recentemente, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, declarou que a aliança precisa se preparar para conflitos de grande escala, o que foi prontamente rebatido pelo Kremlin, que classificou as declarações como irresponsáveis e alarmistas.

 

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