A entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia deverá eliminar o imposto de importação de mais de cinco mil produtos brasileiros no mercado europeu, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Para a entidade, o tratado representa um avanço significativo na inserção internacional do Brasil e pode ampliar a competitividade da indústria nacional.
De acordo com a CNI, o acordo prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas sobre mais de 90% do comércio entre os dois blocos. No caso da União Europeia, 54,3% dos itens negociados terão imposto zerado logo no início da vigência do tratado. Já o Brasil terá prazos mais longos para reduzir tarifas sobre parte dos produtos importados, variando entre 10 e 15 anos para cerca de 4,4 mil itens, o que corresponde a 44,1% do total.
A confederação destaca que esse modelo de transição gradual dá mais previsibilidade às empresas brasileiras, permitindo que setores mais sensíveis tenham tempo para se adaptar às mudanças no mercado.
O acordo também amplia o alcance do Brasil no comércio global. Atualmente, os tratados comerciais do país cobrem cerca de 8% das importações mundiais de bens. Com a adesão ao acordo com a União Europeia, esse percentual pode chegar a 36%, considerando a participação do bloco europeu no comércio mundial em 2024.
Dados da CNI mostram que a indústria tem papel central nas trocas comerciais entre Brasil e União Europeia. Em 2024, 46,3% das exportações brasileiras para o bloco foram de bens industriais. No mesmo período, quase a totalidade das importações provenientes da União Europeia (98,4%) foi composta por produtos da indústria de transformação.
No ano passado, a União Europeia foi o segundo principal destino das exportações brasileiras, somando US$ 48,2 bilhões, o equivalente a 14,3% do total exportado pelo país. Já as importações brasileiras provenientes do bloco europeu totalizaram US$ 47,2 bilhões, representando 17,9% das compras externas do Brasil.
As negociações para o acordo começaram em 1999 e passaram por diferentes fases ao longo dos anos, com avanços e pausas até a conclusão do texto final. Agora, o tratado ainda precisa ser ratificado pelos países envolvidos para que seus efeitos sejam implementados gradualmente.





































































