A aprovação do acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul, formalizada no sábado dia 17 em Assunção, voltou a provocar forte reação de produtores rurais europeus. Neste domingo dia 18, centenas de agricultores belgas levaram tratores às ruas de Bruxelas e bloquearam a região ao redor do Atomium, um dos principais cartões-postais da capital da Bélgica.
Convocado por duas associações do setor, o ato reuniu aproximadamente 300 veículos agrícolas, que permaneceram estacionados no entorno do monumento de metal durante boa parte do dia. Organizadores e sindicatos fizeram apelos para que a manifestação ocorresse de forma pacífica.
Os agricultores argumentam que o tratado pode prejudicar a produção local ao permitir a entrada de produtos sul-americanos submetidos a regras ambientais menos rigorosas do que as exigidas na Europa. Para eles, isso cria uma concorrência desleal e ameaça a sustentabilidade do setor agrícola no continente. Muitos também criticam a burocracia e as regulamentações europeias, que elevam os custos de produção.
O protesto deste domingo acontece na sequência de um bloqueio de 36 horas realizado entre quinta-feira dia 15 e a manhã de sábado dia 17 nas imediações do aeroporto de Bruxelas, quando apenas caminhões tiveram acesso ao terminal de cargas.
Manifestações em outros países também marcaram o fim de semana. Na França, produtores realizaram uma marcha simbólica em Chalon-sur-Saône, no leste do país, enquanto outros se posicionaram dentro de jaulas improvisadas em frente ao zoológico de Beauval, no centro francês, alertando que a profissão corre risco de desaparecer.
A mobilização mais significativa está prevista para terça-feira dia 20, diante da sede do Parlamento Europeu, em Estrasburgo. Agricultores de diversos países europeus são esperados no local com milhares de tratores para pressionar deputados a recorrerem ao Tribunal de Justiça da União Europeia e tentar adiar a implementação do acordo.
O sindicato francês FNSEA, o maior do setor no país, classificou o momento como “a última batalha” contra o tratado UE–Mercosul e afirmou nas redes sociais que a luta precisa ser levada até o fim.





































































