Juara – Mato Grosso

1 de fevereiro de 2026 19:06

Após 25 anos de negociações, União Europeia aprova pacto comercial com o Mercosul

Após mais de duas décadas de negociações, a União Europeia confirmou nesta sexta-feira dia 9 a aprovação política do acordo comercial com o Mercosul, passo decisivo para a formação da maior zona de livre comércio do mundo. A informação foi divulgada oficialmente pelo Chipre, país que ocupa atualmente a presidência rotativa do bloco europeu.

Com o aval da maioria dos 27 Estados-membros, o texto agora segue para análise do Parlamento Europeu. A expectativa, segundo o Ministério das Relações Exteriores da Argentina, é que a assinatura formal entre os blocos ocorra no próximo 17 de janeiro.

 Impactos globais e ganhos para o Brasil

O tratado prevê a redução e, em grande parte, a eliminação progressiva de tarifas sobre bens industriais e agrícolas, além da criação de regras comuns para investimentos, comércio e padrões regulatórios. Para o Brasil — maior economia do Mercosul — a medida representa acesso ampliado a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, comemorou a decisão e destacou que aproximadamente 9 mil empresas brasileiras já exportam para países da UE, o que corresponde a cerca de 30% dos exportadores nacionais.

“É um acordo que fortalece o comércio com regras claras, amplia investimentos e impulsiona a sustentabilidade. Gera produtos mais baratos e de melhor qualidade. É um modelo ganha-ganha”, afirmou Alckmin.

Números do acordo

De acordo com a Comissão Europeia, o pacto é o maior já firmado pelo bloco em termos de redução tarifária, eliminando mais de 4 bilhões de euros por ano em impostos sobre exportações europeias.

  • O Mercosul eliminará tarifas sobre 91% das exportações da UE ao longo de 15 anos;
  • A União Europeia retirará taxas sobre 92% das exportações do Mercosul;
  • Haverá ampliação das cotas agrícolas isentas de tarifas.

Além do comércio, o acordo é visto por países como Alemanha e Espanha como estratégia para reduzir a dependência da China, especialmente no fornecimento de minerais estratégicos como o lítio, essencial para baterias e transição energética.

Resistências e tensões políticas

Apesar da aprovação, o tratado enfrenta oposição interna. França, Irlanda, Hungria, Polônia e Áustria votaram contra. A Bélgica se absteve. Ao todo, 21 países apoiaram a medida, superando o mínimo exigido de 15 nações que representem 65% da população do bloco.

Na França, o acordo gerou protestos e críticas políticas. Agricultores franceses temem concorrência com produtos sul-americanos mais baratos e submetidos a regras ambientais diferentes das europeias. O presidente Emmanuel Macron reafirmou a posição contrária do país, afirmando que os benefícios econômicos para a França seriam limitados.

 Papel decisivo da Itália

A mudança de posição da Itália foi determinante para a aprovação. Inicialmente contrária, Roma passou a apoiar o acordo após a Comissão Europeia sinalizar a liberação acelerada de 45 bilhões de euros para apoio aos agricultores.

A primeira-ministra Giorgia Meloni classificou a proposta como um “passo positivo e significativo”, enquanto o ministro da Agricultura, Francesco Lollobrigida, afirmou que a UE discute agora o aumento — e não a redução — dos recursos destinados ao setor agrícola entre 2028 e 2034.

 Próximos passos

Com o aval político concedido, o acordo entra na fase final de ratificação no Parlamento Europeu. Caso aprovado, abrirá uma nova etapa nas relações econômicas entre Europa e América do Sul, com efeitos profundos sobre comércio, investimentos e cadeias produtivas globais.

Fonte: acessenoticias/radiotucunare

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