Juara – Mato Grosso

19 de janeiro de 2025 08:53

Exame de sangue poderá diagnosticar a doença de Alzheimer

teste desenvolvido pelos cientistas identifica, no sangue, uma proteína associada aos processos de neurodegeneração - (crédito: PickPik/Divulgação )
Pesquisa da Universidade da Califórnia identifica um biomarcador em potencial da doença neurodegenerativa que poderá diagnosticar a demência na fase inicial, o que aumenta o sucesso dos tratamentos

Décadas antes que os sintomas cognitivos da doença de Alzheimer se manifestem, proteínas disfuncionais começam a destruir o cérebro, deixando rastros que poderiam ser utilizados para diagnosticar o mal neurodegenerativo precocemente. Segundo pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, um simples exame de sangue poderá cumprir esse papel, tornando-se um instrumento de triagem neurológica.

Em um artigo publicado na revista Alzheimer & Dementia, os cientistas descrevem um biomarcador que, segundo eles, poderá detectar alterações cerebrais na fase inicial da doença, a um baixo custo. Hoje, o Alzheimer é identificado já em estágios avançados, por meio de avaliação clínica e exames de imagem sofisticados.

O grupo de pesquisadores se concentrou em uma proteína crítica na formação dos vasos sanguíneos, mas que também parece desempenhar um papel no declínio cognitivo. “Avaliando dados de um grande grupo de pacientes com uma variedade de perfis de risco vascular e cognição que vão de demência bem estabelecida à leve, descobrimos que os níveis dessa proteína no sangue podem ser usados como biomarcador para rastrear e monitorar o comprometimento cognitivo”, conta Jason Hinman, neurologista vascular e autor sênior do estudo. A proteína é chamada fator de crescimento placentário (PIGF).

Segundo Hinman, está cada vez mais claro que um dos principais desencadeadores da doença cerebral de pequenos vasos (DCPV) são células disfuncionais que revestem os vasos sanguíneos do cérebro. Essa condição é diretamente associada à demência e ao consequente declínio cognitivo.

Acredita-se que os vasos com vazamento permitem que moléculas fluidas e inflamatórias penetrem no tecido cerebral. A DCPV é normalmente diagnosticada por ressonância magnética. No exame de imagem, áreas de lesão causada por vasos aparecem como pontos brilhantes em sequências, chamadas hiperintensidades da substância branca. Esta e outras associações estruturais são marcadores tardios da lesão cerebral vascular.

Os pesquisadores estudaram possíveis associações envolvendo vários fatores: níveis plasmáticos de PlGF, pontuações dos pacientes em testes cognitivos, e o acúmulo de um fluido no cérebro, medido por um exame caro e sofisticado.

“Como um biomarcador para doenças cerebrais de pequenos vasos e as contribuições vasculares para o comprometimento cognitivo e demência, o PlGF poderia ser usado como uma ferramenta de triagem econômica para identificar pacientes em risco de lesão cerebral vascular antes do início insidioso do declínio cognitivo”, diz o neurologista Kyle Kern, autor sênior do artigo. “Como um simples exame de sangue, tal ferramenta seria valiosa não apenas para pacientes e médicos, mas também para pesquisadores que identificam pacientes para ensaios clínicos”, acredita.

Modificáveis

Hoje, há poucas opções específicas para o tratamento de Alzheimer. Existem duas drogas aprovadas pela Food and Drugs Administration (FDA), que mostraram relativo sucesso no retardamento da doença inicial. Além disso, parte da doença é atribuída a fatores de risco modificáveis, como uso de álcool, hipertensão e sedentarismo, que poderiam ser ajustados no caso de um exame de sangue identificar o início da neurodegeneração.

Parceiros e Clientes

Entre no grupo Acesse Notícias no Whatsapp e receba notícias em tempo real.