A demolição de estruturas pertencentes à Agência das Nações Unidas para Refugiados Palestinos (UNRWA) em Jerusalém Oriental provocou forte reação da ONU nesta terça-feira (20), enquanto autoridades israelenses classificaram a medida como legítima e necessária. Tratores israelenses iniciaram a derrubada de prédios no complexo que abrigava a sede local da agência, ação que foi duramente criticada por organismos internacionais.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu publicamente que Israel interrompa imediatamente as demolições e devolva o local à UNRWA. Por meio de seu porta-voz adjunto, Farhan Haq, a organização afirmou que a medida viola compromissos internacionais assumidos por Israel, incluindo a Carta das Nações Unidas e a Convenção sobre Privilégios e Imunidades da ONU.
Segundo Haq, a continuidade dessas ações “aumenta tensões” e desrespeita obrigações legais internacionais. A própria UNRWA classificou o episódio como “sem precedentes”. Roland Friedrich, diretor da agência para a Cisjordânia e Jerusalém Oriental, disse que a demolição representa uma grave violação do direito internacional e dos privilégios e imunidades das Nações Unidas.
Jonathan Fowler, porta-voz da UNRWA, relatou que forças israelenses entraram no complexo por volta das 5h locais (2h em Brasília), expulsaram os seguranças e, em seguida, permitiram a entrada dos tratores. Para ele, o ocorrido é um alerta perigoso, pois o mesmo poderia acontecer com outras missões internacionais no futuro.
Do lado israelense, o governo defendeu a operação. O Ministério das Relações Exteriores afirmou que o complexo não possuía imunidade diplomática e que sua apreensão foi realizada conforme o direito israelense e internacional. Israel também voltou a acusar a UNRWA de manter vínculos com o Hamas, alegando que alguns funcionários da agência teriam participado do ataque de 7 de outubro de 2023 — acusações que a ONU nega.
O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, visitou o local e celebrou a demolição, chamando o dia de “histórico” para Jerusalém. Em comunicado, ele afirmou que o espaço era ocupado por “apoiadores do terrorismo” e que a ação representa um exemplo do que acontecerá com grupos semelhantes.
O complexo estava sem funcionários da UNRWA desde janeiro de 2025, quando entrou em vigor uma lei israelense que proibiu suas operações em Jerusalém Oriental — área predominantemente árabe anexada por Israel. Apesar disso, a agência continua atuando na Cisjordânia ocupada e na Faixa de Gaza.
Em dezembro de 2024, autoridades israelenses já haviam apreendido bens no local, incluindo móveis e equipamentos de informática, e substituído a bandeira da ONU por uma bandeira israelense — episódio que também foi condenado por Guterres na época como uma “entrada não autorizada” em instalações da ONU.
Desde o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023, Israel declarou o próprio Guterres e o diretor-geral da UNRWA, Philippe Lazzarini, como personas non gratas, aprofundando o conflito diplomático entre as partes.





































































