A passagem de Rafah, localizada na fronteira entre a Faixa de Gaza e o Egito, voltou a funcionar parcialmente nesta segunda-feira (2), quase dois anos após ter sido fechada por Israel em meio à guerra contra o grupo Hamas. A reabertura ocorre de forma limitada e integra a primeira etapa do acordo de cessar-fogo firmado no conflito.
A autorização permite a circulação de pedestres e ambulâncias, possibilitando a saída de palestinos do território e também o retorno de pessoas que haviam deixado Gaza durante os períodos mais intensos da guerra. O primeiro paciente palestino cruzou a fronteira em direção ao Egito por volta das 12h50 (horário de Brasília), segundo agências internacionais.
Apesar da expectativa de milhares de famílias, a liberação inicial será restrita. Informações divulgadas pela mídia estatal egípcia e confirmadas por fontes palestinas indicam que apenas cerca de 50 pessoas por dia poderão atravessar a passagem em cada sentido nos primeiros dias, mediante rigorosos controles de segurança impostos por Israel.
Organizações humanitárias estimam que aproximadamente 20 mil palestinos aguardam autorização para sair de Gaza em busca de tratamento médico fora do território, após meses de colapso no sistema de saúde local provocado pelos bombardeios e pela escassez de insumos.
A retomada das atividades em Rafah acontece no contexto do cessar-fogo mediado pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e assinado em outubro de 2025, sendo considerada uma exigência central da fase inicial do plano de paz.
O controle da passagem havia sido assumido pelo Exército de Israel em maio de 2024, cerca de nove meses após o início da ofensiva militar em Faixa de Gaza, o que resultou no bloqueio de uma das principais rotas de saída da população civil.
Durante os primeiros meses da guerra, milhares de palestinos conseguiram atravessar a fronteira rumo ao Egito. Autoridades locais estimam que cerca de 100 mil pessoas deixaram Gaza desde o início do conflito, muitas com apoio de organizações humanitárias, enquanto outras recorreram a intermediários para obter permissão de saída.
O fechamento da passagem e do corredor Filadélfia interrompeu o deslocamento de feridos e doentes em busca de atendimento médico fora do território. Segundo a Organização das Nações Unidas, embora alguns pacientes tenham sido autorizados a sair via Israel no último ano, milhares ainda necessitam de tratamento no exterior.
A reabertura foi elogiada pela chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, que classificou a medida como um avanço concreto no processo de paz. Ela destacou que uma missão europeia já está presente no local para acompanhar as operações e auxiliar no fluxo humanitário.





































































