Juara – Mato Grosso

9 de março de 2026 18:08

Navios com identidades falsas desafiam sanções internacionais e colocam marinheiros em risco

Tripulantes recrutados para trabalhar em petroleiros envolvidos no transporte de petróleo sob sanções internacionais têm denunciado condições precárias e abusos que especialistas classificam como uma forma de “escravidão moderna”. Os relatos estão ligados à chamada “frota fantasma”, conjunto de navios que opera fora das regras marítimas para transportar petróleo de países como Rússia e Irã, driblando embargos internacionais.

O problema veio à tona após um e-mail enviado por marinheiros a bordo de um petroleiro próximo a Singapura. A mensagem, encaminhada a organizações internacionais de fiscalização e à Federação Internacional dos Trabalhadores do Transporte (ITF), relatava falta de pagamento, escassez de alimentos e condições degradantes de trabalho. Os tripulantes afirmaram ter descoberto que o navio em que trabalhavam usava uma identidade falsa para esconder sanções impostas pelos Estados Unidos.

Segundo especialistas em monitoramento marítimo, a chamada “frota fantasma” cresceu rapidamente nos últimos anos e já reúne mais de mil embarcações, responsáveis por uma parcela significativa do petróleo transportado por via marítima no mundo. Essas embarcações costumam ser antigas, com manutenção limitada, documentação de propriedade pouco transparente e sistemas de rastreamento frequentemente desligados ou manipulados para dificultar a identificação.

Relatos de tripulantes indicam que muitos profissionais aceitam os contratos sem saber que trabalharão em navios sancionados. Em alto-mar, acabam enfrentando equipamentos defeituosos, atrasos salariais e falta de assistência das empresas responsáveis. Em alguns casos, a propriedade das embarcações é registrada em empresas de fachada, o que dificulta denúncias e responsabilização.

Outra prática identificada por analistas é a criação de “navios zumbis”, quando embarcações sancionadas assumem a identidade de navios desativados para continuar operando. Mudanças frequentes de nome, bandeira e número de identificação internacional fazem parte das estratégias para evitar o monitoramento das autoridades.

Diante desse cenário, governos e organizações internacionais discutem medidas para conter o transporte clandestino de petróleo e reduzir o financiamento de conflitos armados e regimes sob sanções. Entre as ações estão novas sanções econômicas, exigências mais rígidas de seguro marítimo e, em alguns casos, operações de interceptação de petroleiros suspeitos em águas internacionais.

Especialistas alertam, porém, que o combate à frota fantasma envolve desafios logísticos, jurídicos e financeiros, já que a apreensão de grandes petroleiros exige manutenção, tripulação e decisões judiciais sobre a carga transportada. Enquanto isso, o crescimento dessas embarcações continua sendo motivo de preocupação para autoridades e organismos internacionais, que veem no fenômeno uma ameaça à segurança marítima e aos direitos dos trabalhadores do setor.

Fonte: acessenoticias/radiotucunare

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