Passa a valer nos Estados Unidos novas series de tarifas global sobre produtos importados. A medida foi anunciada pelo presidente Donald Trump após uma reviravolta jurídica que derrubou parte do chamado “tarifaço” implementado anteriormente.
Embora o percentual oficialmente em vigor seja de 10%, o governo já indicou que pretende elevar a alíquota para 15%, limite permitido pelo instrumento legal escolhido desta vez.
Brasil pode ganhar competitividade
Entre os países afetados pelas mudanças, o Brasil aparece como um dos que mais sentiram os efeitos da decisão judicial. Isso porque a Suprema Corte dos Estados Unidos invalidou as tarifas impostas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), o que eliminou duas cobranças relevantes aplicadas aos produtos brasileiros:
- a tarifa “recíproca” de 10%, criada em abril de 2025;
- a sobretaxa adicional de 40% anunciada meses depois.
Com a derrubada dessas medidas, os itens brasileiros deixam de sofrer a penalidade extra específica e passam a se enquadrar na nova regra geral. Na prática, as exportações ficam sujeitas à tarifa regular já existente antes de 2025, acrescida da taxa global — atualmente de 10%, podendo chegar a 15%.
Especialistas avaliam que setores como agronegócio e indústria de transformação podem recuperar espaço no mercado americano, especialmente em produtos como café processado, mel, frutas e pescados.
Aço e alumínio seguem com tarifa elevada
Nem todas as cobranças foram afetadas pela decisão judicial. As tarifas sobre aço e alumínio continuam em 50%, pois foram impostas com base na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962, que trata de questões de segurança nacional.
Essas alíquotas permanecem válidas e podem ainda ser somadas à nova taxa global temporária.
Por que houve mudança nas tarifas?
A alteração no cenário começou na sexta-feira dia 20, quando a Suprema Corte decidiu, por maioria, que o presidente não poderia usar a IEEPA para impor tarifas amplas a dezenas de parceiros comerciais. O entendimento foi de que a legislação não autoriza a criação unilateral desse tipo de imposto de importação.
Com isso, caíram as tarifas aplicadas a mais de 180 países desde abril do ano passado.
Horas depois da decisão, Trump criticou o resultado e anunciou que adotaria um “plano alternativo”. A Casa Branca publicou então um novo decreto, agora baseado na Seção 122 da Lei de Comércio, que permite impor tarifas de até 15% por um período limitado, inicialmente de até 150 dias.
Lista de exceções amplia estratégia
Mesmo com a nova tarifa global, o governo americano divulgou uma ampla relação de produtos que ficarão isentos. Entre eles estão:
- mercadorias do Canadá e do México que cumpram as regras do acordo USMCA;
- determinados produtos agrícolas;
- medicamentos e insumos farmacêuticos;
- minerais críticos, energia e alguns componentes eletrônicos;
- têxteis de países do acordo CAFTA-DR.
A avaliação de analistas é que a Casa Branca buscou reduzir impactos internos, evitando pressionar preços ao consumidor e proteger cadeias produtivas consideradas estratégicas.
Governo brasileiro vê decisão como positiva
Autoridades brasileiras reagiram de forma favorável ao novo cenário. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o país manteve postura diplomática ao longo do processo. Já o vice-presidente Geraldo Alckmin declarou que a uniformização da tarifa global coloca o Brasil em condição mais equilibrada frente a concorrentes internacionais.
Para especialistas em comércio exterior, a retirada das sobretaxas mais pesadas tende a reduzir incertezas e melhorar a previsibilidade para exportadores. Ainda assim, o cenário dependerá da formalização — ou não — do aumento da alíquota para 15% e de possíveis novos desdobramentos na política comercial americana.





































































