Pandemia causa queda de atendimento em casos de infarto e AVC

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A pandemia de covid-19 causou uma queda de 50% nos atendimentos de emergência em casos de infarto e de 40% nos casos de AVC (acidente vascular cerebral) desde março em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista e da Rede Brasil AVC.

O atendimento rápido é crucial para doenças cardiovasculares, que são a principal causa de morte em todo o mundo e tiraram a vida de 17.790.949 pessoas em 2017, de acordo com o levantamento mais recente, disponível no estudo Global Burden of Disease (Fardo Global das Doenças, em tradução livre), feito pelo IHME (Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde), em inglês.

Além disso, doenças crônicas colocam as pessoas no grupo de risco da covid-19, o que significa que elas têm maior possibilidade de desenvolver complcações por causa da doença.

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Com o objetivo de alertar para importância de procurar ajuda médica mesmo em tempos de pandemia, nasceu a campanha “Saúde Não Tem Hora”, uma parceria entre a SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia), SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes), Associação Brasileira de Medicina de Emergência e a Rede Brasil AVC, com o apoio da farmacêutica Boehringer Ingelheim.

Entre 16 de março – mês em que começaram as medidas de restrição para tentar e frear a disseminação do coronavírus no Brasil – e 31 de maio os cartórios de registro civil do país registratam aumento de 31% no número de mortes por cardiopatias em relação à 2019, o que evidência a demora no atendimento, de acordo com o presidente da SBC, Marcelo Queiroga.

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“Doenças crônicas estão fazendo mais vítimas fatais que a pandemia de covid-19. Sabemos que por medo de contágio houve uma forte redução de atendimento nas unidades de saúde. Quem tiver sintomas não fique em casa, procure o hospital”, orienta.

O  cardiologista  Álvaro  Avezum, diretor  do Centro Internacional de Pesquisa  do Hospital Alemão Oswaldo Cruz e professor livre-docente da Universidade de São  Paulo (USP) afirma que a redução pela metade na quantidade de atendimentos por infarto mostra que as “pessoas morrem em casa porque estão com medo de ir à emergência mesmo com sintomas” da doença.

“Aumentaram os casos de rupturas ventriculares, quando o músculo do miocárdio se rompe, que é a pior complicação do infarto”, ressalta.

A neurologista Sheila Martins, presidente da Rede Brasil AVC, lembra que uma em cada quatro pessoas vai ter acidente vascular cerebral ao longo da vida e, quando isso acontece, cada minuto é essencial para evitar sequelas.

“Tempo perdido é cérebro perdido. A cada minuto que passa, são dois milhões de neurônios perdidos”, ressalta. “Assim que ocorre o AVC uma parte [do cérebro] já morre, mas tem uma área de sofrimento, chamada penumbra, que pode ser salva ou perdida”, completa.

A especialista também afirma que o AVC pode ser a primeira manifestação da covid-19, como já explicou em entrevista ao R7. “Isso pode acontecer por vários fatores, inclusive a inflamação gerada pelo vírus”.

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