Pandemia sacode o mercado internacional do tráfico de drogas

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A pandemia do novo coronavírus e as medidas para contê-la causaram interrupções descomunais no comércio internacional e foram inúmeros os setores que sofreram com isso. Com o tráfico internacional de drogas, não poderia ser diferente.

Os bloqueios de transporte e as fronteiras fechadas tiveram consequências em todos os pontos da “cadeia produtiva” das drogas, como mostra um levantamento feito pelo jornal norte-americano Washington Post.

Segundo a reportagem, os produtores de coca na América do Sul e de papoulas no centro da Ásia estão com estoques cheios, sem poder fazer suas colheitas. Por outro lado, nos mercados consumidores como EUA e Europa, houve corte no fornecimento e os preços das drogas dispararam.

Com isso, o que pode acontecer é o que está previsto para muitos setores da economia formal: as maiores empresas podem consolidar seu domínio sobre o mercado e os pequenos produtores ou serão engolidos ou fecharão as portas.

Nas regiões mais remotas do Peru, onde o cultivo de coca sempre foi uma das atividades mais lucrativas, o fechamento das fronteiras fez com que seus principais compradores, os cartéis da Colômbia, não tivessem como buscar o produto.

Isso fez o preço da folha de coca — que também é vendida como estimulante natural e chá, mas em uma proporção muito menor e apenas para a região — despencar mais de 70%.

Outra questão é que a pandemia interrompeu outros fluxos, como os de insumos usados para a fabricação da droga, como o permanganato de potássio. Os traficantes também não conseguem atravessar a fronteira com a Venezuela para comprar o combustível local, muito mais barato.

Problemas de produção

E não apenas a produção e distribuição da cocaína foram afetados pela crise. No Afeganistão, os trabalhadores que extraem as sementes de papoula usadas na produção de ópio e heroína não conseguem trabalhar por conta da quarentena.

A interrupção no transporte de vários produtos químicos vindos da Ásia afetou a produção de metanfetamina no México e a de estimulantes no Líbano e na Síria, segundo o Post.

Em entrevista ao jornal, o ex-chefe de operações do DEA, o departamento de narcóticos dos EUA, Michael Vigil, disse que “os cartéis estão levando uma surra” da crise. “Tudo isso vai mudar o panorama do tráfico, as quadrilhas maiores e com mais recursos têm tudo para engolir as operações das menores”.

Carregamentos maiores

Há informações de que as gangues mexicanas têm grandes estoques de drogas parados ao longo da fronteira com os EUA, que eles não conseguem transportar porque ninguém passa de um lado para o outro.

Com as fronteiras fechadas, as quadrilhas internacionais mudaram de tática e têm tentado transportar quantidades maiores de entorpecentes de cada vez. Com isso, tem havido um menor número de apreensões, mas as quantidades apreendidas estão maiores.

Autoridades norte-americanas apreenderam, somente nos primeiros três meses deste ano, cerca de 17,5 toneladas de cocaína que seriam transportadas para a Europa. Um aumento de 20% em relação ao mesmo período em 2019, segundo a agência Reuters..

Mesmo com esse quadro, especialistas acreditam que o mercado pode reaquecer conforme o confinamento e isolamento entre os países seja relaxado. E com o possível aumento da influência dos grandes cartéis e a situação econômica desfavorável para os produtores, a produção de coca pode voltar a ser lucrativa em um futuro não muito distante.

Fonte: R7

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